Pedra do Ingá – ontem e hoje

Hoje a gente volta pro interior da Paraíba, mais especificamente pra o Sítio Arqueológico da Pedra do Ingá.

Estivemos lá no último dia 30 de maio, debaixo da maior chuvarada, encontramos o Secretário de Turismo da cidade de Ingá, o Sr. Vavá da Luz e conversamos sobre a situação do Sítio. As melhorias que estão sendo planejadas, as dificuldades de se despertar o interesse de autoridades pra valorizar o espaço, sobre o passado, o presente e as perspectivas pro local.

Resta só 25% do que havia no passado

No passado, não o passado remoto, de 5 ou 6 mil anos atrás, nos refirimos a um passado relativamente recente, dos anos 1950, o local esteve sob ameaça.

Chegou a existir uma pedreira no Sítio Arqueológico da Pedra do Ingá. Um engenheiro, Leon Clerot foi até lá e junto com alguns colaboradores foram à justiça impedir que os trabalhos das marretas continuassem, se bem que mais de 75% do lajedo já havia sido destruído. Isso que a gente vê hoje é um restinho do que era originalmente.

Crendices populares, o rio e o vandalismo

No presente, uma dessas ameaças é o rio Ingá, que em períodos de cheia cobre o lajedo inteiro. Até o seu curso colide diretamente com as inscrições rupestres. (conforme mostram as setas da imagem abaixo)

Rio Ingá

Ora, mas esse fenômeno sempre ocorreu, até por isso mesmo que alguns pesquisadores acham que várias inscrições de Ingá fazem alusão ao ciclo das águas. Porque então ele é um problema no presente?

O grande problema aí é que, com o crescimento as cidades, mesmo as do interior, os esgotos vão sendo despejados no rio e a água que passa pelo Sítio Arqueológico é poluída, isso aumenta a acidez e traz resíduos sólidos que vão apagando gradativamente as inscrições em baixo-relevo gravadas na pedra.

O vandalismo já foi uma ameaça maior. Hoje já está bem mais sob controle. Porém, no passado, já foram encontrados arranhões entre as itacoatiaras. Também alguns crentes em lendas de que tesouros foram colocados dentro das rochas iam até o sítio dar marretadas e até mesmo tiros nos painéis.

Ainda assim, hoje é preciso cuidado. As pessoas desavisadas costumam colocar os dedos entre os baixos-relevos, esse comportamento, se não for bem controlado, contribui pra degradação das itacoatiaras. Há dois anos foi recolocada a barreira de proteção em frente ao painel pra que não aconteçam mais essas intromissões.

O desafio para as futuras gerações

O desafio pro futuro é justamente despertar o interesse de pessoas, dos habitantes da cidade de Ingá, pra começo de conversa e das autoridades. Muitas melhorias que poderiam ser feitas não são ou por burocracia ou por vários outros motivos de cunho político…

Por mais que a gente poste na internet, faça artigos em blogs, no final das contas, o que a gente pode fazer é chamar atenção, pressionar, mas os processos decisórios estão a cargo de órgãos como o IPHAN, prefeituras e secretarias de turismo e cultura tanto estaduais como municipais.

Há muitos desafios mas também pode haver esperanças. A gente continua esse papo amanhã falando justamente delas. Fica com a gente!

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