Forte e frágil

O Forte Orange é um dos principais monumentos históricos não só da Ilha de Itamaracá como também do estado de Pernambuco. Ele foi construído pelos invasores holandeses em 1631 e tem esse nome em homenagem a Frederico Henrique de Orange, príncipe holandês.

Essa primeira construção do século XVII era de taipa e servia pra garantir a proteção das possessões holandesas em Pernambuco.

Com a expulsão dos holandeses, a obra foi reconstruída, dessa vez com uma estrutura muito maior e mais resistente, também foi rebatizado, ganhou o nome de Forte de Santa Cruz, mas todo mundo só o chama de Orange mesmo.

A Ilha de Itamaracá fica a cerca de 48 quilômetros do Recife. Segundo um processo judicial de 1491, nove anos antes do começo da colonização do Brasil, em que se discutia crimes cometidos por piratas franceses, já se registrava a presença não só desses piratas como também de portugueses que até possuíam casas na por lá.

Mais tarde, com a chegada de Duarte Coelho ao Brasil, a Ilha passou a fazer parte da capitania hereditária de Itamaracá. Mas só em 1958 é que foi elevada a condição de cidade, se emancipando de Igarassu.

Durante toda a sua existência, o monumento de Orange sofreu várias reformas e restaurações.

A mais recente começou no primeiro semestre desse ano e tem como objetivo fazer uma grande requalificação do monumento: restaurar a cantaria (as pedras que formam as paredes do Forte) e redescobrir locais que existiam na época dos holandeses, como a porta de entrada do forte original, restaurar a Casa da Pólvora, (que era um depósito para armamentos e, claro, pólvora pra fazer a munição) e várias outras estruturas que antes ou estavam soterradas pelo acúmulo de areia da praia ou não estavam em condições de ficarem expostas ao público.

Essas e outras descobertas estão entre os achados arqueológicos holandeses mais importantes fora da Holanda, tanto é que membros da família real holandesa já visitaram o local para verem pessoalmente esses tesouros históricos.

Porém as intervenções que estão sendo feitas não estão agradando a todos.

Grupos da sociedade de Itamaracá, como representantes de associações de moradores de bairros, advogados, membros de entidades culturais, etc. questionam os valores que estão sendo gastos nessa reforma (o projeto está orçado em 9,5 milhões de reais) e reclamam da demora das obras e da, segundo eles, falta de transparência nas informações sobre os prazos.

Inicialmente, a entrega do Forte estava prevista pra Dezembro de 2015, mas já existem informações, inclusive em cartazes fixados na porta do local, que esse prazo é por tempo indeterminado.

No feriado de 7 de setembro, algumas pessoas ligadas a esses grupos de Itamaracá fizeram uma manifestação pública onde abordavam os turistas que caminhavam em torno do monumento com um panfletos e até carro de som fazendo denúncias sobre os gastos e toda a situação.

Seja como for, é bom que se tomem as devidas providências, que se cumpra o que foi prometido, afinal de contas, esse  é um grande atrativo pra os turistas e fonte de renda pra os comerciantes que tem as suas barraquinhas de bebidas, petiscos nos arredores e que estão reclamando da diminuição movimento e, consequentemente, do faturamento do que é o seu principal meio de vida.

Com o lugar fechado, perde o comerciante, perde o turista, enfim, toda a economia e a cultura da região fica no prejuízo.

O Nosso forte e frágil patrimônio histórico e cultural precisa muito de atenção.


Folha de Pernambuco – Sessão “Cotidiano” – 02/06/2015 – Matéria sobre a situação das obras de restauração do local.

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