Incêndio em Olinda!

Em muitos posts aqui no Reverso, a gente fala sobre o período entre 1630 a 1654 em que os holandeses conquistaram uma grande extensão do território do Nordeste.  Hoje, vamos conhecer uma história que aconteceu logo no comecinho dessa invasão: O incêndio em Olinda.

Pra situar o nosso papo, vamos ver um pouquinho o contexto dessa época:

Os holandeses e suas companhias

No final do século XV, quem mandava era a Espanha e Portugal. Com o Tratado de Tordesilhas, fizeram a divisão do mundo entre eles. Tudo que já tinha sido descoberto e o que ainda viesse a ser encontrado pertenceria ou aos portugueses ou aos espanhóis.

A Holanda, já no século XVI, começou a se preparar pra enfrentar essa situação. E nisso foram criadas as Companhias.

Elas não eram pertencentes ao reino da Holanda, mas estavam ligadas a ele, tinham proteção e carta branca pra conquistarem territórios e promoverem suas próprias formas de legislação, desde que elas não fossem de encontro com o Governo Central holandês.

Primeiramente, foi criada a Companhia das Índias Orientais, pra tentar controlar as colônias portuguesas na Ásia.

No ano de 1621, seria a vez da fundação da Companhia das Índias Ocidentais, cujo o objetivo era controlar as possessões das Américas.

Alguns historiadores consideram que não é nenhum exagero dizer que essas companhias foram as primeiras multinacionais, inclusive, tinham até acionistas.

Em 1624, vieram bater aqui no Brasil e tentaram conquistar Salvador, que era a capital brasileira nessa época.

Foram expulsos de lá mas voltaram seis anos depois e conseguiram conquistar a boa parte do Nordeste brasileiro. Uma extensa faixa que ia do Sergipe ao Maranhão.

Apesar de não ser a capital do Brasil da  colônia, a então capital de Pernambuco era nessa altura, uma das cidades mais prósperas das Américas.

E quando os holandeses começaram a explorar o território conquistado, isso acabou se tornando um problema pro pessoal da Companhia.

O que fazer com Olinda?

Na sede da “empresa” os acionistas da Companhia discutiam o que fazer com a vila, pois, para muitos deles, sairia muito caro fortificar e providenciar a proteção pra que o lugar não fosse atacado e tomado de volta pelos portugueses.

O relevo também não favorecia. Era, (como sempre foi) muito acidentado, cheio de morros e barrancos, isto era um desafio pros holandeses.

Alguns documentaristas, como Caspar Barlaeus, contam que os holandeses ainda fizeram estudos pra tentar ver como é que poderiam fortificar a cidade. Na Holanda, continuavam a discutir se deviam ou não evacuar a cidade…

Até que em novembro de 1631, chegaram a uma conclusão: Saquearam todas as principais construções, retiraram e derreteram sinos e imagens católicas pra fazer armas, transformaram grande parte dos prédios em quartéis e depósitos e tocaram fogo em tudo o que tinha restado.

E começa (de fato) Recife

Depois disso, se instalaram de vez em Recife, pois na visão deles, seria menos complicado e custoso manter suas defesas na até então vila de pescadores.

Em 1637, Maurício de Nassau foi enviado pra ser o Governador das possessões holandesas no Brasil.

Ele se estabeleceu no Recife e isso foi um dos fatores que fez com que a antiga vila de pescadores do passado, que já contava com um certo desenvolvimento, ficasse maior e com a economia mais diversificada.

Depois da expulsão dos holandeses, em 1654, o Recife já era um lugar bastante diferente.

Acabou superando a “Marin dos Caetés” em importância econômica, crescimento urbano e da população. Porém, só foi se tornar capital de Pernambuco no século XIX.

Mas isso é um assunto pra um outro post, futuramente.

Fontes:

Olinda: Memória e Esquecimento Virgínia Pontual e Vera Milet.
A Companhia das Índias Ocidentais: Uma Sociedade Anônima? – Roberto Chacon de Albuquerque.

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