Na feira de Caruaru

Sabe onde fica o lugar que tem de tudo que há no mundo? É na feira de Caruaru. Ela é patrimônio imaterial do Brasil, tombada pelo Iphan e começou antes mesmo do surgimento da cidade.

Antes da cidade, a feira já estava lá

Em 1776, José Rodrigues de Jesus toma posse da propriedade que havia sido abandonada após a morte de seu pai: a fazenda Caruru. Lá ele manda construir uma igreja de Nsa. Senhora da Conceição e, com o passar do tempo, começa formar um povoado nas redondezas.

Lembra daquela história sobre Vitória de Sto. Antão, que era um lugar por onde passavam comboios de tropeiros que iam comercializar seus produtos no interior?

Pois bem, a fazenda Caruru era uma das rotas desses comboios, só que lá a história foi um pouco diferente. Muitos mascates (comerciantes) vindos da capital começaram a se instalar no lugar pra vender os seus produtos por lá mesmo e isso foi crescendo de tal maneira que até mesmo os donos de sítios na região vinham até a fazenda nos domingos e dias de festas religiosas pra vender a sua produção junto com as mulheres que compravam tecidos pra confeccionar roupas.

E assim estava formada então a feira de Caruaru.

Muito tempo depois, em 18 de maio de 1857, é que Caruaru foi ganhar o status de cidade.

A Feira de Caruaru“, a música:

A feira tem o nome de Onildo Almeida, que foi o compositor de “Feira de Caruaru“, música gravada por Luiz Gonzaga em 1957.

 Reza a lenda que Gonzagão estava de passagem por Caruaru e ouviu a música, que ainda não tinha sido gravada. O “Rei do Baião” procurou Onildo e simplesmente perguntou se podia cantar a música em suas apresentações, coisa que o jovem compositor permitiu na hora.

A música foi gravada meses depois e se tornou um dos maiores sucessos de vendas naquele tempo, com mais de 100.000 cópias vendidas em 2 meses. Isso, nos anos 50 e no Brasil, era uma quantidade astronômica.

Uma feira tradicional com cara de Shopping popular

Do século XVIII até os anos 1980, ela permaneceu no largo da igreja de Nsa. Senhora da Conceição, onde tudo começou. Mas as barracas, o movimento de pessoas e mercadorias tava ficando intenso demais pro centro da cidade de Caruaru, aliás, desde os anos 1960, já havia estudos pra mudança da feira pra outro lugar, só pra se ter uma ideia, nessa época a feira já estava ocupando 2 KM de ruas da cidade. Mas a mudança mesmo só foi acontecer a partir de 1989, pra uma área bem próxima.

Hoje a feira ganha ares quase que de Shopping Center. Com guaritas na entrada e estacionamento pago e tabelado. A quantidade de veículos, entre carros, vans e principalmente motos é absurda.

Há uma espécie de rádio interna cujo som é difundido pelos alto-falantes em postes no meio da feira, através deles são divulgados anúncios dos comerciantes e informações gerais sobre serviços, segurança, etc. Em alguns locais, as coberturas dos boxes quase se encontram, fechando os corredores.

Mas a essência permanece. Hoje, na parte mais visitada por turistas, que é a feira de artesanato, é possível a gente encontrar os mais diversos produtos tanto de uso cotidiano, como roupas, sapatos, chapéus e muito mais, como peças de decoração e até brinquedos. Sim! brinquedos artesanais ainda continuam com uma boa demanda nesses tempos de Smartfones e aplicativos.

De vez em quando há algumas tensões entre os interesses dos feirantes e do espaço urbano da cidade. Mas com tudo isso, a feira de Caruaru sobrevive ao tempo, vai se adaptando às mudanças e continua como um lugar emblemático.

Nos versos de Onildo Almeida:

 “A Feira de Caruaru
Faz gosto a gente ver
De tudo que há no mundo
Nela tem pra vender”…

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