O homem do barro

No post passado estivemos na feira de Caruaru. Hoje, a gente permanece nessa cidade da região do Agreste pernambucano e segue pro Alto do Moura, um local reconhecido pela Unesco com o título de “Maior centro de artes figurativas das Américas”. Lá, a gente vai conhecer uma das figuras mais importantes da arte popular brasileira, o Mestre Vitalino.

O homem que deu vida ao barro

Vitalino Pereira dos Santos nasceu em 1909, num sítio um tantinho afastado do centro de Caruaru.

Desde cedo teve que trabalhar, foi ajudar a mãe no ofício de ceramista numa olaria. Isso acabou tendo uma influência decisiva em Vitalino, por que foi daí que se originou a sua arte.

O menino costumava pegar sobras da argila usada na confecção de telhas, vasos e outros instrumentos domésticos pra começar a modelar suas primeiras formas.

Nos anos 1940, já casado e com filhos, Vitalino se muda pro Alto do Moura, com a intenção de poder vender as suas criações em locais mais próximos do centro e na feira de Caruaru.

Já existiam no local vários artesãos e ceramistas que viviam da fabricação de objetos de uso doméstico. Mas Vitalino não se interessava por esse tipo de artesanato, queria mesmo era continuar fazendo sua arte. Logo na sua chegada, ele passou a ensinar suas técnicas a outros artesãos e virou uma liderança no povoado.

A casa museu do Mestre em Caruaru

A casa onde o Mestre morou na sua chegada ao Alto do Moura está de pé e é lá que funciona um museu administrado por seus filhos. Uma casinha muitíssimo simples, a gente observa a pouca mobília, o aspecto quase rudimentar das paredes e dos cômodos. O forno que Vitalino usava pra dar o acabamento nas suas obras, onde o barro era aquecido pra dar solidez às obras, também está lá do mesmo jeito.

Reconhecimento em vida

Vitalino alcançou reconhecimento nacional em 1947, através de um amigo, um artista plástico que organizou a Exposição de Cerâmica Popular Pernambucana, no Rio de Janeiro e depois a notoriedade só foi crescendo com uma outra exposição, no MASP. Em 1955, participou da Exposição Arte Primitiva e Moderna Brasileiras, em Neuchatel, Suíça.

O Mestre não esteve presente nessas ocasiões, só em 1960 foi ao Rio pra uma outra exposição e, em 1961, ele foi condecorado em Brasília.

Vitalino morreu muito pobre, na sua casa, vítima da varíola, em 1963, ironicamente, no auge do seu reconhecimento como artista. Mesmo assim, ele continua sendo extremamente respeitado por ter sido um dos grandes responsáveis pelo enriquecimento da arte popular brasileira.

Existem peças de Vitalino em vários museus Brasil afora e até no Louvre, de Paris.

A produção artesanal do Alto do Moura e a influência de Vitalino

A influência do Mestre continua bem viva. Andando pelo local, a gente percebe a quantidade de lojas e ateliês que se dedicam à produção de artesanato.

Muita coisa mudou com o tempo. Embora, claro, ainda haja a predominância da produção de pequenas obras mostrando gente e animais, exatamente como fazia o Mestre Vitalino, o artesanato que a gente encontra no Alto do Moura adquire novas formas e proporções.

Há várias obras em tamanho grande, personagens populares, crianças nas janelas, representações mais modernas de animais e objetos. Há alguns pontos que se tornaram atrações à parte, como o cavalo onde as pessoas costumam subir pra tirar fotos.

Portanto, se for a Caruaru, não deixe de passar no Alto do Moura, as estradas são boas e o local fica bem perto do centro. É sempre muito bom poder entrar em contato direto com a cultura e a história feita pelo próprio povo que a constrói diariamente.

Participe da conversa com seu comentário: