A cápsula do tempo

Voltamos a Vitória de Santo Antão, a 52 km da capital pernambucana, pra contar a história de um monumento que se localiza bem no meio da praça da matriz da cidade: A cápsula do tempo

Trata-se de um obelisco, que no dizer da população ficou conhecido como “pirâmide”. Ele foi construído pra marcar a passagem do século XIX pro XX, por iniciativa do pároco Pe. Bernardo, com a colaboração do prefeito José Xavier Cavalcanti Wanderley e do Juiz de Direito da Comarca. As autoridades arrecadaram fundos pra construção do monumento que serviria pra homenagear a chegada de mais um século.

Uma estrutura com um pouco mais de 10 metros de altura em forma de prisma, (o que justifica o apelido de pirâmide), onde foi colocada uma caixa de vidro contendo vários documentos assinados.

Após a colocação dos documentos, a parede da base foi tapada  e uma placa de mármore colocada pra marcar o ato, ficando a promessa de que a mesma parede deveria ser aberta dali a 100 anos, pra que fossem retirados os objetos e colocados outros contemporâneos justamente pra marcar a passagem dos séculos.

Detalhe é que a inauguração do obelisco e a cerimônia da colocação dos documentos se deu no dia 28 de julho de 1901, portanto, o século XIX já tinha-se acabado há mais de 7 meses.

No final do século XX, a tradição foi cumprida. Só que dessa vez numa data mais apropriada: o último dia do século. Em 31 de dezembro de 2000, representantes da Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência e outras figuras, entre elas, Geraldo Guerra Jr, um dos responsáveis pela implantação da Internet no município, fizeram outro buraco na base do monumento e puseram lá objetos de uso cotidiano, alguns documentos assinados e edições de jornais.

Depois que o buraco foi tapado, foi colocada uma placa comemorativa e hoje é possível a gente ver as duas placas, a de 1901 e de 2000, cada uma num dos lados da base do obelisco.

Século XIX
Placa do século XX Vitória de Santo Antão

Esse tipo de construção conhecida como “cápsula do tempo” é mais comum do que a gente imagina. Em monumentos nas praças, no interior de prédios, como é o caso da que nós visitamos em Areia, na Paraíba.

Pra você ter uma ideia, uma cápsula deixada por Steve Jobs, em 1983, foi encontrada na cidade de Aspen, EUA.

E você aí, já procurou saber se na sua cidade há alguma “cápsula do tempo“? já fez ou já pensou em pegar alguns objetos, jornais, etc e fazer a sua própria cápsula do tempo? Quem sabe algum bisneto seu não a encontra no futuro.

4 comentários em “A cápsula do tempo

  • 27/10/2015 em 20:07
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    Olá.

    No grupo escoteiro do qual participo fizemos uma cápsula do tempo para ser aberta em 10 anos (e tinha 12 anos na época). A experiência foi incrível, lemos cartas deixadas a nós mesmos e relembramos pessoas que já haviam partido…

    É legal saber que existem cidades com cápsulas, muito curioso! Adoraria ver a abertura de uma!

    http://renataguarino.blogspot.com

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    • 27/10/2015 em 20:27
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      Oi Renata! Eu já andei fazendo coisa semelhante por aqui, nas proximidades do bairro mesmo, mas não sei o o que aconteceu, pois eu era adolescente, e fiz meio de brincadeira, sem muita pretensão. Uma vez, eu já adulto, vi uma num Salão das Artes Plásticas aqui em Olinda, numa antiga fábrica de tecidos desativada e eu cheguei a colocar uns fanzines que eu eu fazia. Infelizmente,nunca participei da abertura de nenhuma, mas deve ser um acontecimento bastante interessante mesmo.
      Obrigado pela participação, um grande abraço!

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  • 28/10/2015 em 16:23
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    Que incrível,gostei muito :) nunca fiz uma capsula do tempo,mas tenho uma carta para ser entregue daqui alguns anos,o que também acho válido :)
    Vou procurar pra ver se acho alguma por aqui :D
    Beijos ^.^
    Jenny,do Little Wonders (littlewonderscrm.blogspot.com)

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    • 28/10/2015 em 21:07
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      Faça Jennyfer! com certeza será legal! Eu acho muito interessante a ideia de poder deixar coisas pra que outras pessoas que não viveram a nossa realidade tenham uma noção de como era nosso tempo, ou até de nós mesmos vermos como vivíamos e pensávamos quando éramos mais jovens e tínhamos uma outra mentalidade. Eu uma vez botei umas coisas, uns fanzines que eu fazia, numa cápsula que foi colocada aqui em Olinda. Infelizmente, não sei muito do que foi feito com ela, mas espero que a abram daqui há uns anos.

      Abração e tudo de bom!

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