Mimodifique

Neste último final de Semana, entre os dias 20 e 22 de Novembro, a cidade de Olinda receberia a Mostra de Música Internacional de Olinda, MIMO, que já vinha sendo realizada desde 2004.

O evento contaria, como sempre contou, com apresentações de música instrumental, popular e erudita, exibição de filmes e oficinas educativas em vários polos espalhados pelo Sítio Histórico da cidade, principalmente aqueles mais conhecidos como o Mercado da Ribeira, o Alto da Sé e nas igrejas.

Mas eis que em 2015, a MIMO não se realizou em Olinda devido a problemas financeiros e políticos.

A partir desse ponto, muita gente percebeu que alguma coisa teria que ser feita… Um protesto, uma manifestação… um evento pra preencher o espaço vazio que a MIMO havia deixado? Na verdade, tudo isso ao mesmo tempo: Produtores, artistas, microempresários e demais pessoas estreitamente ligadas à produção cultural olindense, lançaram suas networks, uniram esforços e se empenharam pra dar uma resposta contundente à situação.

A Mimodifique 2015 contou com shows, mostras de artes e audiovisual, feira de artesanato, gastronomia, apresentações culturais dos mais diversos gêneros. Tudo isso feito de forma colaborativa e voluntária, em um espaço de tempo muitíssimo curto, menos de dois meses pra colocar tudo pra funcionar.

O “estopim” foi o impacto da não realização da MIMO na cidade. Mas foi muito além disso. Numa espécie de “manifesto” , a Mimodifique disse pra o que veio:

“(…) acreditamos que esta seja a hora de ampliar o debate, discutir a cidade, os espaços públicos, nosso patrimônio material e imaterial e especialmente as políticas públicas de cultura, tanto em Olinda, quanto em Pernambuco.

Nossa intenção não é realizar apenas um evento e sim criar uma grande rede de articulação, onde possamos de forma permanente nos manifestar nas diversas expressões culturais na cidade, e onde artistas, produtores, movimentos sociais e moradores possam estar em constante diálogo. Nosso objetivo é construir uma cidade melhor para viver, e esse é o momento ideal para esse debate.”

Efetivamente, Olinda tem como uma de suas principais marcas a cultura. O Carnaval, com certeza, é a mais conhecida pelo grande público, mas, algumas situações parecem querer contradizer a condição olindense de cidade cultural e artística. Não há cinemas, como pudemos ver em outro post aqui no Reverso e os teatros também não estão em condições de uso. Foi também como um questionamento a esse estado de coisas que surgiu a Mimodifique.

A MIMO retornará no ano que vem? A gente espera que sim. Haverá Mimodifique em 2016? Também seria muito bom. A cidade precisa que seu próprio povo se reconheça, se aproprie de sua cultura e que possa fazer disso um fato libertador. Aliás, essa foi uma das maiores propostas da Mimodifique em 2015.

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