Batalha de Casa Forte

Hoje, vamos mostrar outro lugar onde houve um confronto da guerra entre os luso-brasileiros e holandeses no séc. VXII: A Batalha de Casa Forte. Continuamos no Recife, pertinho de onde estivemos nos posts anteriores sobre o Arraial do Bom Jesus e o Poço da Panela.

O resto de tropa holandesa que tinha tomado uma surra na batalha do Monte das Tabocas, Vitória de Santo Antão, em 3 de agosto de 1645, bateu em retirada e após chegar ao Recife, tentou se reorganizar numa campina no Engenho Dona Anna Paes, que ficava onde hoje é o bairro de Casa Forte, zona norte da capital pernambucana.

Um plano cruel

Porém, não houve muito tempo pra descansar, o comandante da tropa, Hendrick van Haus, ordenou a um de seus oficiais, junto com mais soldados, que fosse fazer buscas nas terras do povoado da Várzea, a uma certa distância dali.

O objetivo era cruel: raptar todas as mulheres das famílias dos combatentes luso – brasileiros que pudessem ser encontradas. E, de fato, na tarde de 16 de agosto de 1645, os soldados holandeses trouxeram pra Casa Forte muitas mulheres que foram feitas prisioneiras e encarceradas na sede do engenho de Dona Anna Paes, que era uma portuguesa aliada dos holandeses.

Os combatentes luso-brasileiros rapidamente ficaram sabendo da situação e, como se encontravam perto dali, tomaram o rumo de Casa Forte.

A chegada dos portugueses e a batalha de Casa Forte

Quando chegaram nas proximidades da sede do Engenho, viram algumas mulheres colocadas em frente às janelas e acabaram confundindo isso com um sinal de que os holandeses estavam querendo negociar.

Batalha de Casa Forte

Mandaram então um soldado até a Casa Grande pra iniciar as eventuais conversações, só que os holandeses não estavam dispostos a negociar coisa nenhuma e mataram o emissário dos luso-brasileiros.

Isso foi o estopim pra que a batalha começasse. Os guerreiros de Pernambuco invadiram o casarão e provocaram um incêndio. Os soldados holandeses que fugiam encontravam mais combatentes do lado de fora, trocas de tiros se estenderam durante todo o dia 17 de Agosto de 1645 e os holandeses foram novamente derrotados, muitos foram mortos e os que sobreviveram terminaram aprisionados.

A lugar hoje em dia

Hoje em dia, no mesmo local onde houve a batalha, existe a praça de Casa Forte, que tem alguns detalhes bem interessantes, que a gente vai ver no próximo post. Há também alguns casarões, do final do século XIX até começo do século XX.

Apesar da verticalização que  já chega com bastante intensidade, ainda é bem perceptível um certo clima de cidade do interior no bairro.

A principal avenida do bairro tem o nome de 17 de Agosto em homenagem ao dia da batalha e no lugar onde ficava, aproximadamente, o engenho de Dona Anna Paes, na entrada da Matriz de Casa Forte.

Há duas placas, uma do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano, de 1918 e outra da Polícia Militar, colocada em 1995, que prestam homenagem aos combatentes luso-brasileiros.

Casa Forte fica na zona norte do Recife, distante cerca de 8 km do centro da cidade. Mais uma opção de lazer, conhecimento e entretenimento que também sai praticamente de graça, dentro de um eventual roteiro na capital pernambucana.

2 comentários em “Batalha de Casa Forte

  • 27/08/2017 em 03:15
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    Quando “expulsaram” os Holandeses, os heróis de Pernambuco deveriam ter desmontado a ponte e “expulsado” a Ponte construída também e “expulsado todo o dinheiro e maquinário que equipou os Engenhos de Açúcar advindo da Holanda e da Inglaterra.
    Não deveriam usar Gasolina e nem Energia Elétrica porque são produtos de Tecnologia criados pelos “expulsos” da Casa de Orange Nassau. Vale salientar que a Guerra dos Mascates que Recife ascendeu a Capital do Estado é produto Holandês e a Revolução de 1817 também é produto dos descendentes de Ingleses e Holandeses que permaneceram!! E tem mais o Hino de Pernambuco está errado: ” A República não é filha e Olinda. A REPÚBLICA É FILHA DE UTINGA” ENGENHO UTINGA, DA BATALHA DE UTINGA. E, a Revolução de 1817 não é feita apenas de Frei Caneca. E a Bandeira de Pernambuco é Holandesa da Revolução de 1817..

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    • 27/08/2017 em 03:41
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      Olá Jupiter. Ficamos muito gratos pela sua contribuição. Sim, há o debate sobre as consequências do chamado “período holandês” em Pernambuco, sobre a figura de Nassau, do que teria sido dessas terras se os holandeses tivessem aqui permanecido.
      O objetivo de alguns posts aqui é tentar despertar o interesse e a valorização pelos lugares onde aconteceram fatos históricos relevantes e, se destacamos as placas, é por que elas lá estavam.
      Muito boas as suas colocações, é sempre bom para o nosso trabalho quando lemos comentários de cunho crítico como esse seu.
      Obrigado pela sua participação e tenha uma boa semana.

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