Jardins de Burle Marx

No mesmo local onde houve uma batalha entre os invasores holandeses e combatentes luso-brasileiros em 1645 está primeiro projeto de jardim público de um dos maiores paisagistas brasileiros, uma personalidade respeitada até hoje em todo o mundo. Estamos na praça de Casa Forte, os jardins de Burle Marx.

Roberto Burle Marx nasceu em 1909 e teve formação inicial de artista plástico. Começou a estudar Belas Artes depois de ter ficado muito impressionado com visitas que fez a exposições de mestres como Van Gogh, Picasso e Paul Klee, isto na Alemanha, onde morou entre 1928 e 29. Sua mãe era pernambucana e seu pai, um judeu alemão.

O sobrenome é sim por causa daquele autor até hoje tão calorosamente discutido, o Karl, que era um dos primos de seu avô.

De volta ao Brasil, continua seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, e envolve-se também com algo que depois o levaria a ficar mais conhecido: O paisagismo. Sua primeira experiência foi Em 1932, num jardim para a residência da família Schwartz, no Rio de Janeiro, a convite do arquiteto Lúcio Costa.

Em 1934, assume o cargo de diretor de parques e jardins do Recife, terra de sua mãe, e é nessa cidade que o jovem Roberto faz seu primeiro projeto de jardim público: O jardim na praça de Casa Forte.

Um grande espaço, desde a frente da matriz de Casa Forte até a avenida 17 e Agosto. Mais de 300 metros uma da outra, que ele trabalhou jardins profundos, geométricos, preenchidos com vegetação da flora brasileira.

No centro, um espelho d’água onde deveria existir uma estátua de uma índia banhando-se, ela constava nos esboços originais do paisagista, mas nem chegou a ser posta em prática.

Do lado da Avenida 17 de Agosto e do pátio da igreja, outros espelhos d’água retangulares, onde no passado existiam grandes exemplares de Vitória Régia (daí a praça ser conhecida também como Praça da Vitória Régia).

As primeiras, depois de terem morrido, foram substituídas por outros tipos de plantas, até que um projeto de revitalização do espaço fez com que a planta amazônica retornasse. Elas ainda devem crescer bastante até ficarem com aquele ar majestoso que uma planta dessas pode ter.

Pistas de terra nas laterais, paralelas à rua, pra quem gosta de praticar caminhadas e bancos típicos de praças pra uma boa leitura ou mesmo contemplação dos ambientes.

Assim como acontece no Poço da Panela, esse é um bairro onde a verticalização vem com tudo, mas Casa Forte conserva um certo ar de lugarejo do interior, e ainda tem restaurantes, padarias e outros pontos onde é possível sentar e jogar conversa fora com amigos.

É uma boa conhecer esse local muito importante do Recife. Com suas histórias, tudo o que ele representa e por esse belo espaço que é a Praça. Ela precisa ser muito bem cuidada, sempre. Para o bem dos habitantes da cidade e dos visitantes de outros lugares.

Casa Forte é um bairro que fica a 7 quilômetros do centro da cidade. A praça é um lugar ideal pra um passeio nas primeiras horas da manhã ou no final de tarde. É de fácil acesso, com locais pra estacionar veículos particulares e bem servida de ônibus com várias linhas de ida e volta com as paradas na Avenida 17 de agosto.

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