Vai dar praia? Pte. III – Casa Caiada

Hoje, estamos na penúltima parte da nossa série, pra falar de uma área bem popular das praias de Olinda: o trecho que fica no bairro de Casa Caiada.

Falar de uma cidade com vocação cultural e turística, que é Patrimônio da Humanidade e dizer que suas praias não são grandes atrações pra pessoas que vem visitá-la pode parecer, aliás, é mesmo, um grande contrassenso.

Mas as praias de Olinda estão cheias de histórias que valem a pena ser mostradas.

Um lugar de ocupação relativamente recente

Depois do colapso das praias de veraneio dos Milagres e do Carmo e da ocupação de Bairro Novo, essa praia começou a ser mais frequentada nos finais dos anos 1970, começos dos 80. Antes disso, quase que apenas os pescadores andavam por lá.

Vai dar praia? – Carmo e Milagres

Uma característica dessa praia é o mar calmo durante as marés baixas e avanço das águas, de forma bastante intensa, durante as altas das marés. São comuns as “ressacas” (que é quando as ondas avançam sobre a costa).

O calçadão foi urbanizado e nesse trecho da praia a gente vê, com bastante intensidade, a verticalização. Prédios enormes que foram surgindo, a partir de finais dos anos 1980, substituindo casas e edifícios mais modestos que existiam no local.

Praia popular em Casa Caiada

Fazendo um contraponto à classe mais abastada que habita os arranha céus, a praia é frequentada por pessoas que gostam de ficar na areia, ouvindo música, comendo petiscos e jogando conversa fora.

Uma característica daqui, diferente de outras áreas, é que a maioria dos bares são do lado de dentro da praia, embaixo de palhoças, quando não improvisados à sombra das árvores.

Há placas na areia, mas elas não chamam a atenção pra tubarões, e sim pro perigo de um banhista acabar se afogando com os desníveis do solo por baixo d’água, desníveis formados por causa das correntezas e das rápidas mudanças nas marés.

Um antigo hotel de luxo

Quase no final da praia do bairro, a gente encontra um prédio. Hoje ele é um Flat, mas já foi um hotel luxuoso que até fazia parte do imaginário popular.

Ficava-se a imaginar o que havia lá dentro, como eram os quartos, etc.

Nos anos 1980, chegou a hospedar a Xuxa, no auge da sua carreira como apresentadora de TV, a seleção brasileira de futebol, quando vinha jogar em Pernambuco e vários artistas de importância nacional podiam ser vistos por lá.

Depois, ele andou mudando de nome, de donos e não é mais nem sombra do que foi um dia. Se bem que a referência permanece, todo mundo fala o seu nome quando se pergunta onde fica a rua tal, como se chega a um determinado lugar, etc.

Por hoje é só. No próximo post, a gente encerra esse passeio pelas praias de Olinda. Vamos conhecer o último quilômetro de praia da cidade, que também tem histórias muito interessantes.

2 comentários em “Vai dar praia? Pte. III – Casa Caiada

  • 22/01/2016 em 08:51
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    Sendo eu, moradora de uma cidade com 42 praias tenho um gosto um tanto peculiar da maioria dos habitantes. Pois, gosto das praias pouco conhecidas e frequentadas sem tanto vendedor ambulante (reconheço o valor…). Não gosto muito desse choque urbano prédiosXpraia porém, são os novos tempos… http://ladomilla.blogspot.com.br/

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    • 22/01/2016 em 12:49
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      E o pior, camyli, é que daqui a pouco ficarão cada vez mais raros os lugares onde teremos espaços livres desses tais “novos tempos”, aqui em Olinda estamos bem no perímetro urbano e as praias muitas vezes sofrem com a saturação de prédios e do tráfego de veículos. Há de se encontrar soluções pra que isso não venha danificar ainda mais os ambientes.

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