Vai dar praia? – Final – Rio Doce

A praia que nós vamos visitar hoje fica no bairro de Rio Doce, o mais populoso da cidade, com cerca de 41,6 mil habitantes.

A família do saudoso músico Chico Science morou lá e muitas das influências musicais e estéticas do Manguebeat vieram desse bairro.

Rio Doce, o maior bairro de Olinda

Esse é o último post dessa série do Reverso do Mundo sobre praia na cidade de Olinda. Desde julho do ano passado, quando começamos essa série, com as praias próximas do sítio histórico, passamos pelos bairros mais recentes e agora encerramos.

Este é o trecho final, já bem perto do limite do município de Olinda com a vizinha, Paulista.

Apesar de estar no bairro com a maior população da cidade, a praia é relativamente tranquila. Isso se deve, em parte, à própria praia, que mesmo em períodos de maré baixa, tem uma faixa de areia estreita e isso faz com que não se juntem as barracas e bares à beira mar, como em Casa Caiada.

Geralmente as pessoas vão em família, com bastante crianças, há vendedores também, mas esses são ambulantes. Outra coisa é que até bem pouco tempo um trecho considerável da praia nesse bairro não tinha calçamento e com isso, a via na beira mar não é tão utilizada pra cortar caminhos, como na praia de Bairro Novo.

Portanto, se tá longe de ser uma praia “paradisíaca“, com vistas maravilhosas e com piscinas naturais, é mais tranquilo e propício pra caminhadas e a contemplação do mar.

É nesse trecho final de praia em Olinda que ficam dois importantes marcos da religiosidade popular.

Uma antiga igreja fora da cidade antiga

A Igreja dedicada a Santana, ou Sant’Anna, que é a mãe da Virgem Maria na tradição católica, tem um singularidade: ela é a única, (pelo menos descoberta até agora) das construções ainda de pé nessa área da cidade, distante cerca de 5 KM do centro do Sítio Histórico, que data do século XVIII. Foi construída em 1782 por um casal dono de um sítio que havia na localidade.

Já existia gente no que veio a ser o bairro, mas eram cabanas aqui e ali, que não formavam uma povoação. Em grandes extensões de terra fora da “Vila de Olinda“, o Sítio Histórico, não havia urbanização, casas de pedra e cal ou prédios públicos construídos. Apenas a igreja.

Ela hoje fica numa praça, onde estão também uma escultura de Santana e um monumento à Marinha Brasileira.

Iemanjá dividindo Olinda e Paulista, a cidade vizinha

No horizonte, dividindo as águas do mar entre Olinda e Paulista, fica a emblemática imagem de Iemanjá. (A entidade é representada ali como uma mulher morena de cabelos longos, porém, nunca é demais lembrar que culto a Iemanjá é originário da África e essa divindade é, portando, uma deusa negra). Pois bem, naquele ponto, desde do começo da segunda metade do século XX, há grandes cortejos dos adeptos do candomblé, não só de Olinda, como também de Paulista, outras cidades de Pernambuco e até de outros estados.

Vai dar praia Rio Doce - Olinda

A imagem então foi erguida pra servir de referência pras pessoas, um foco onde os adeptos participam das festas e oferecem as chamadas “Panelas de Iemanjá“. Um influente sacerdote de Candomblé no Brasil, Pai Edu, foi um dos iniciadores dessas festas e, não se sabe ao certo, mas ele mesmo teria mandado construir o monumento naquele local.

E por aqui termina a viagem por cerca de 8 quilômetros de litoral de Olinda. O que ficou faltando foram locais aos quais o acesso realmente é muito complicado, mas pudemos mostrar bastante histórias, curiosidades e imagens de locais onde as pessoas convivem, trabalham e tiram seu sustento.

Agradecimento a Alexandre L’Omi L’Odò, Coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, pelas valiosas informações sobre a imagem de  Iemanjá.

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