Quarta-feira ingrata

Oh! quarta-feira ingrata, chega tão depressa, só pra contrariar”. A letra do compositor Luís Bandeira reflete o sentimento do folião do Carnaval de Olinda

Na terra dos bonecos gigantes a folia é comemorada na rua, com o povo indo atrás dos blocos, muitos grupos de amigos e famílias combinam pra sair com fantasias iguais… É um Carnaval brincado. Literalmente.

No post anterior, a gente mostrou o maior polo do Carnaval olindense, a praça da prefeitura de Olinda ainda vazia, com todas as estruturas começando a ser montadas, a expectativa e até mesmo a ansiedade pelo início da festa.

Hoje, estamos em outro ponto do Sítio Histórico, no bairro do Amparo. Há alguns meses, mostramos esse ponto. No Carnaval é aqui que muita gente se aglomera pra ver a passagem de blocos e orquestras que seguem em direção a outros bairros da folia.

Se você já passou por essa cidade, ou viu em qualquer mídia, há sempre um frevo tocado pelas orquestras, quase um “hino paralelo” do Carnaval. É o “Vassourinhas“. Ele foi feito em 1909 por Matias da Rocha e Joana Ramos. No Amparo, há o Clube Carnavalesco Vassourinhas, mas não foi lá que a música foi composta. A dupla vendeu os direitos da composição para outro clube de nome igual, que já nem existe mais, no bairro de Beberibe, em Recife.

Quarta-feira ingrata

Os blocos seguem passando. Grandes, menores, aqueles formados por uma pessoa só. Fantasias das mais coloridas e gente sem fantasia também. Pode tudo, até mesmo fazer camarotes. Sim! Só que estes são feitos do lado de dentro das casas das pessoas e não interferem em nada a passagem dos blocos e o som das orquestras com seus músicos tocando o mais autêntico frevo pernambucano. O som que anima e energiza os foliões.

Na periferia do Sítio Histórico, a gente encontra mais e mais troças carnavalescas. Interessante perceber que muitas delas, além da sátira, da gozação, também trazem figuras emblemáticas da cultura de Pernambuco, como as burrinhas e o Cavalo Marinho.

Hoje é quarta-feira de cinzas e tudo isso aí vai virar lembranças na cabeça de quem presenciou a festa. Mas ano que vem tem mais, ailás, ano que vem não. Apesar das adversidades, o olindense é o povo que sente o coração da cidade pulsar através dos tambores e das orquestras de frevo, que se fazem presentes em várias outras épocas do ano.

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