Os portugueses voadores

No bairro de Santo Antônio, região central do Recife, há uma pequena praça que celebra um grande feito, uma homenagem aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral: “os portugueses voadores“.

Tudo aconteceu em 1922, um ano agitadíssimo no Brasil. Na cultura, a legendária Semana de Arte Moderna incendeia o Teatro Municipal de São Paulo. Na política, começava o movimento do Tenentismo, com a revolta do Forte de Copacabana, no Rio. Era também o centenário do Grito da Independência.

Nesse contexto todo, dois aviadores, Gago Coutinho e Sacadura Cabral foram responsáveis pela primeira travessia do Atlântico cruzando os hemisférios norte e sul.

A dupla utilizou um hidroavião, que é uma aeronave com adaptações pra aterrissar na água. Agora, imagine, viajar de um continente pra outro, num avião de 10,9 metros de comprimento, com 14 metros de envergadura e sem nada de instrumentos eletrônicos, rádio ou coisa do tipo? Pois é. Eram essas as condições que eles tinham. Literalmente, um voo ao desconhecido.

A aventura começou no dia 30 de março de 1922. Gago e Sacadura completaram a primeira etapa da viagem, até as Ilhas Canárias, sem tantas dificuldades, percorrendo uma distância de cerca de 1.350 km.

Portugueses Voadores

Mas a partir daí é que as coisas começaram a complicar. Na etapa seguinte, o hidroavião sofreu muitos danos e teve que ser consertado na chegada ao arquipélago de Cabo Verde.

O mais grave ainda estava por vir quando os aviadores se aproximaram do arquipélago de São Pedro e São Paulo, já em águas brasileiras. A aeronave quebrou mais uma vez e Coutinho e Cabral tiveram que esperar um resgate no meio do oceano.

Depois de terem sido levados até Fernando de Noronha, perceberam que a aeronave tinha danos irreversíveis.

A Marinha Portuguesa enviou outro hidroavião e a dupla pôde voar novamente em 11 de Maio de 1922.

Mas para o azar da dupla, esse segundo hidroavião apresentou problemas mecânicos e ficou inutilizável. Nova espera, as incertezas só aumentavam. Até que, ainda em Fernando de Noronha, os aviadores receberam um novo aparelho, dessa vez seria o último. Era tudo ou nada. De Fernando de Noronha, eles decidiram retornar pro arquipélago de São Pedro e São Paulo, pois a aventura teria que continuar de onde parou.

Os heróis cumpriram a missão em 5 de Junho de 1922 quando chegaram no Recife, que foi a primeira cidade onde pousaram, partindo depois pra Salvador, Porto Seguro (BA), Vitória (ES) até o destino final, Rio de Janeiro, capital do país na época.

Cinco anos depois do feito, próximo da área onde o hidroavião pousou, foi erguido um monumento. Ele tem os bustos dos aviadores e mais outras referências ao feito. Uma narrativa em cada lado do obelisco e na parte de trás os brasões de Portugal e do Brasil, também uma homenagem a Santos Dumont e, no topo, uma figura que representa o mito grego Ícaro, aquele que desejou voar e despencou dos ares.

A Praça 17 está próxima do Recife Antigo e de outros locais interessantes, como a Praça da República, onde existe um Baobá que tem uma história bastante interessante, que a gente conta no próximo post.

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