A Praça da República e Maurício de Nassau

A Praça da República, no centro do Recife, é o local de um conjunto arquitetônico muito tradicional e significativo, alguns na cidade até a chamam de “Praça dos Três Poderes”: O Executivo, o Judiciário e o Cultural.

Aí que se encontra a sede do Governo de Pernambuco e também do Poder Judiciário do estado, assim como um dos mais importantes palcos da cultura e as artes no Brasil: o Teatro de Santa Isabel, inaugurado em 1850 e considerado “teatro monumento nacional”, tombado desde 1949.

De Roberto Burle Marx a Maurício de Nassau

A praça sofreu uma intervenção de Burle Marx, em 1936, quando ele foi Diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, ganhando o formato que tem praticamente até hoje.

Todo esse lugar, que era um grande alagado, começou a ser organizado quando Maurício de Nassau chegou ao Brasil em 1637 como governador dos territórios invadidos pelos holandeses.

A figura desse homem é muito discutida até hoje. Alguns o consideram um civilizador, que urbanizou o Recife com uma visão diferenciada, interesses artísticos e científicos.

Outros contestam esse perfil, colocando Nassau como mais um dos exploradores de nossas riquezas, que fez muita coisa em benefício apenas de seus interesses e da Companhia das Índias Ocidentais, à qual servia.

Nassau comprou o terreno onde é hoje a Praça da República, imaginou e mandou construir um projeto monumental pra uma vila pequena que era o Recife no começo do séc. VXII.

O primeiro jardim Zoo botânico do Brasil

Em 1642, estava inaugurado o Palácio de Friburgo e, ao seu redor, aquilo que foi o primeiro jardim Zoo botânico em terras brasileiras.

Os historiadores contam que o jardim dava a impressão de ser quase uma obra surrealista. Pro Zoo foram trazidas espécies domésticas e selvagens do Brasil e da África, algumas fontes falam em 28 tipos diferentes de animais, desde mamíferos até répteis e peixes, colocados nos cercados e tanques entre jardins de plantas locais e exóticas.

O local também teria uma espécie de Museu de História Natural, onde cientistas que vieram com Nassau estudavam a natureza dos trópicos, tão diferente dos lugares onde eles viviam.

O Palácio era residência e lugar de despachos de Nassau. Uma grandiosa construção, luxuosamente decorada, teria cinco pavimentos e suas torres, quando estavam iluminadas por tochas serviam pra orientação de navios até uma razoável distância.

Na ilustração abaixo* a gente pode ter uma ideia de como era todo esse ambiente:

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Acontece que Nassau, que já vinha se desentendendo com a Companhia das Índias Ocidentais, foi embora do Brasil em 1644.

O período pós Nassau

Os invasores holandeses transformaram então a antiga residência do governador em quartel e no ano seguinte, após a derrota no Monte das Tabocas, em Vitória de Santo Antão e em Casa Forte, no Recife, soldados holandeses resolveram destruir os jardins, tocando fogo nas árvores, soltando (ou matando) os animais, destruindo as instalações onde ficavam, sob o pretexto de que os inimigos luso-brasileiros poderiam se esconder entre os cercados e as árvores pra iniciar a retomada dos domínios holandeses.

A retomada dos domínios veio mesmo a acontecer em 1654. O antigo palácio ainda chegou a ser ocupado por governadores de Pernambuco até o começo do século XVIII, mas depois foi demolido.

De Secretaria da Fazenda a sede do governo do estado

A construção feita sobre seus escombros chegou a servir como Erário Régio, uma espécie de “Secretaria da Fazenda” do estado, entre outras coisas. Várias vezes o prédio foi reformado e reconfigurado e, em 1841, foi inaugurado como o Palácio do Campo das Princesas, atual sede do Governo Estadual.

Hoje em dia não há mais vestígios das obras de Nassau na Praça da República. O visitante pode andar pelos passeios feitos no projeto de Burle Marx, admirar as palmeiras muito altas e sentar-se num dos bancos na parte central, onde há estátuas de musas da mitologia grega, entre outros atrativos. Com certeza é interessante imaginar o tanto de história que se passou por ali, desde os idos dos anos 1600 e pouco até hoje.

Pra quem vai de ônibus, o conjunto arquitetônico da Praça da República está próximo de ruas com pontos de transporte público, quem for de carro, pode estacionar em frente ao Teatro de Santa Isabel. Certamente será uma ótima opção de passeio com custo baixo, onde se pode ter uma verdadeira aula de história e cultura.

*Imagem: Fribourg Palace (Recife) cropped.jpg Reprodução da Wikimedia Commons – Sob Domínio Público.

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