Na terra dos maracatus

Essa é a nossa última escala da viagem pela Zona da Mata norte de Pernambuco. Estamos numa das cidades mais importantes da região: Nazaré da Mata: a capital dos Maracatus de baque solto.

Não se tem registros de onde e como surgiu essa tradição. Alguns historiadores contam que pode ter saído de uma mistura de manifestações como a folia de Reis, o Cavalo Marinho, etc. Outros estudiosos argumentam que é uma representação de origem afro-indígena.

Nos maracatus de baque solto há todo um cortejo com os reis, as baianas, que seriam as “damas da corte” e vários outros personagens ao som de uma orquestra com instrumentos de sopro, como o piston, e de percussão, como o tarol, ao som de versos enaltecendo o próprio maracatu, a cultura popular dos canaviais e o lado espiritual dessa manifestação.

Os caboclos de lança, guerreiros das matas

A bem da verdade, os lanceiros, ou caboclos de lança, são só uma parte do espetáculo, são como os “guardas” do cortejo, mas talvez sejam a parte mais conhecida, tanto é que muita gente se fantasia como eles no Carnaval e suas imagens ilustram eventos culturais e turísticos.

A belíssima indumentária dos lanceiros dos maracatus não é assim só pra encantar a vista, há um contexto transcendental na coisa toda:

  • As peças que mais se destacam são o chapéu de palha com fitas de papel-celofane cuja cor é sempre determinada pelo “guia” do caboclo (amarelo: Iansã, vermelho: Xangô, etc…).
  • Uma espécie de manto colorido chamado de gola, deve ser feita apenas pelos homens, (embora existam exceções a esta regra) que é pintada com cores chamativas, além terem lantejoulas e miçangas pra dar um efeito de espelhar, pra que o caboclo fique protegido do mal-olhado.
  • As lanças, que têm todo um preparo: Elas devem ter 2 metros de comprimento e de madeira que os próprios caboclos devem ir cortar na mata, pra depois, serem submetidas a rituais tanto dentro como fora dos terreiros de umbanda. Isso tudo tem que ser feito, pois elas é que “guiam” os caminhos do maracatu, sendo por isso também chamadas de “guiadas”.

A cidade de Nazaré da Mata é  um dos destinos mais procurados no Carnaval pernambucano por gente até de fora do Brasil que assiste aos cortejos dos quais os lanceiros fazem parte.

A folia na cidade

No centro da cidade, na frente da igreja matriz e num parque, chamado de “Praça do Frevo”, que oficialmente se chama Herculano Bandeira, além de trios elétricos que são comuns em todos os lugares, é aí que se reúnem os maracatus não só de Nazaré da Mata, mas também de várias outras cidades da vizinhança.

O Parque dos Lanceiros

Inaugurado em 2005, ele é um espaço cultural com galeria de exposição e vendas de souvenires que remetem ao Maracatu de Baque Solto e um anfiteatro pra apresentações fora do circuito do Carnaval. Na parte mais alta, um conjunto de esculturas gigantes mostram a beleza dos movimentos e o colorido das indumentárias dos lanceiros.

Não se paga nada pra entrar no Parque dos Lanceiros e é uma boa opção pra quem está buscando entender um pouco melhor as tradições da cultura popular da Zona da Mata norte do estado de Pernambuco. Ele fica na última entrada pra Nazaré da Mata, via estrada PE-408, distante 69 KM de Recife.

Não deixe de conhecer esses cantos e se puder ir a Nazaré pelo Carnaval, você terá uma bela ideia do quanto é bonita e importante a tradição dos maracatus rurais.

Veja um passo – a – passo da “arrumação” de um lanceiro do Maracatu Rural

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