Zona da Mata – Outtakes

Vamos nos despedindo, por enquanto, da Zona da Mata norte pernambucana, de algumas cidades por onde passamos. Não foram muitas, mas elas são bestante representativas, centros de atração cultural, só pra se ter uma noção do quanto de beleza, arte e história há por esse interior adentro.

Para além das histórias mais conhecidas, há muito mais pra se conhecer nessa região. Tracunhaém mesmo, é uma cidade pequena, porém, cheia de atrativos.

A paixão do poeta João Cabral de Melo Neto

Às margens do açude na entrada da cidade está o morro do Trapuá. É lá que ficava um engenho com o mesmo nome. Conta-se que um dos maiores nomes da literatura brasileira, o pernambucano João Cabral de Melo Neto, visitava essas bandas com certa frequência e achava tudo tão lindo que, segundo algumas pessoas que o conheciam, desejava ser enterrando ali.

Coisa que acabou não acontecendo, pois o intelectual teve seu sepultamento em 1999 no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

Lendas urbanas, histórias e mais arte

No centro também há histórias que são quase como lendas urbanas, que as pessoas contam umas às outras ou a algum visitante interessado. A igreja católica dedicada a Santo Antônio, que é a principal da cidade, teria, por detrás do altar, umas passagens subterrâneas, por onde os escravos fugiam e iam parar no casarão ao lado. Conta-se que os padres acobertavam as fugas, orientando os escravos a saírem mata adentro.

Além dos ateliês onde são vendidas as peças de artesanato, também há esculturas em locais públicos, como a reprodução de “La Pietá” na frente do cemitério municipal de Tracunhaém.

La Pietá de barro em Tracunhaém, zona da mata de Pernambuco

Em Nazaré da Mata, a gente pode flagrar várias cenas do cotidiano da cidade que, ao mesmo tempo, assimila hábitos e valores dos grandes centros e mantém alguns traços de cidade pequena do interior, onde as pessoas vão às feiras na rua, por exemplo.

A natureza, de um modo geral é boa quando não há escassez de água, como aliás vem acontecendo nessas regiões desde o final do ano de 2015 até agora, em março de 2016. Um sinal disso é o açude em Lagoa do Carro, cheiinho e o verde da vegetação, que em muitos pontos é o da monocultura açucareira.

Há muita carência, isso é verdade. Um visitante terá dificuldades, por exemplo, de achar bons lugares pra se hospedar. É bem mais aconselhável programar um dia: manhã e tarde, saindo de Recife, pra fazer um desses roteiros que mostramos nas viagens.

Mas o esforço valerá a pena, com certeza. São experiências altamente enriquecedoras.

A Zona da Mata vem diversificando suas atividades produtivas e dando mais destaque a seu potencial cultural, que é riquíssimo. Tomara que isto seja cada vez mais uma realidade.

2 comentários em “Zona da Mata – Outtakes

  • 04/04/2016 em 17:09
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    Eu não conheço muito Pernambuco, mas as imagens estão lindas! Amei a paisagem, é tudo tão verdinho! *u*

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    • 04/04/2016 em 17:18
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      Pois se um dia puder, venha, Thamíris. Aqui tem lugares pra todos os gostos, praias e interior cheios de atrativos, tanto pra quem quer se divertir, como pra quem se interessa por cultura e história. Bom, é bem verdade que a nossa linha aqui no Reverso vai mais pra as abordagens culturais, mas há muito mais e pra todos os gostos, como eu já coloquei.
      Obrigado por sua participação. Espero te ver por aqui mais vezes.
      Abraço!

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