Os holandeses chegaram!

Aqui no Reverso a gente já viu vários locais onde houve disputas entre brasileiros junto com portugueses contra os holandeses que invadiram o território do Nordeste no começo do século XVII. Mostramos lugares de batalhas, visitamos os fortes novo e velho do Bom Jesus, falamos sobre o incêndio em Olinda, etc…

Mas como é que isso começou?, como foi que os invasores vieram parar aqui?

Antes de contar essa história, é bom fazer duas observações:

– Na verdade quando a gente fala nos invasores, estamos falando da Companhia das índias Ocidentais, a grande empresa multinacional sobre a qual já conversamos num post anterior.

Não era o exército holandês, embora contasse com muitos militares dos Países Baixos e com o apoio dos reis de lá e nem eram só holandeses. A Companhia contratou mercenários franceses, dinamarqueses, suecos e de várias outras nacionalidades pra aquela que seria a grande investida contra o Brasil, em 1630.

O pessoal da Companhia já havia feito estudos, mandado pra cá gente da sua confiança e até mesmo levado índios pra Europa, tudo isso pra que tivessem a melhor ideia possível de onde atacar. Resolveram que seria Pernambuco, na época um grande produtor de açúcar no cenário mundial.

Toda essa empreitada, aliás, foi por causa do açúcar. Havia muita coisa envolvida no comércio e refinamento do produto. Disputas entre Holanda e Espanha e vários outros fatores fizeram com que a Companhia das Índias Ocidentais se lançasse ao mar pra invadir o Brasil.

E foi justamente nessas praias, onde estamos hoje, que em fevereiro de 1630, 66 embarcações com cerca de 7200 pessoas, desembarcaram pra iniciar a invasão das terras pernambucanas.

Com o tanto de navio que havia na frota invasora , eles foram chegando, chegando e se posicionaram ao longo de  5 a 6 KM, desde as proximidades de onde fica hoje o Forte de Pau Amarelo, até a praia de Maria Farinha, que conhecemos em posts anteriores.

Com todos preparados, eles puderam, tranquilamente, armar acampamentos pra marchar até Olinda, atravessando o Rio Doce, (divisa entre os atuais municípios de Paulista e Olinda) encontraram pouquíssima resistência até conseguirem dominar a então capital pernambucana e, em seguida, se estabelecerem no Recife. Pegaram todos literalmente “com as calças na mão”.

Hoje, mais de 300 anos depois, a região se modificou. O mar avançou bastante, obrigando a construção de barreiras e diques artificiais. Nas últimas duas décadas, a praia de Pau Amarelo e a de Maria Farinha perderam muito dos seus status de lugares de veraneio de gente de classes mais altas, embora ainda haja muitas casas de praia e hotéis pela região. O que há em maior quantidade são conjuntos habitacionais e muitos bares mais populares.

Mesmo assim, há bastante movimento e esses locais são indicados pro passeio, pra os visitantes que curtem petiscos e aquela “gelada” pra se refrescar do calor. Se não são praias paradisíacas, como muitas pelo litoral brasileiro, pelo menos podem render muitas horas de lazer pra quem estiver pela cidade de Paulista.

Participe da conversa com seu comentário: