O mercado de ferro

O Mercado de São José tem uma história bem curiosa: é um prédio pré-fabricado, de ferro, trazido da França e montado no lugar onde está há mais de 140 anos. Vamos conhecer esse lugar interessante, um verdadeiro ícone da capital pernambucana no post de hoje do Reverso do Mundo:

Pensado dentro dos rigores da moda da época, quando estava muito em voga grandes estruturas em ferro (em 1887, seria erguido o que é, sem dúvida, o exemplo mais famoso desse tipo de arquitetura: a Torre Eiffel) como um símbolo de modernidade.

É o mercado público mais antigo do país e foi a primeira construção de ferro pré-fabricada em outro continente e trazida pro Brasil.

O engenheiro francês Louis Léger Vauthier, o mesmo que, anos antes, dirigiu as obras do Teatro de Santa Isabel, foi uma das figuras que esteve à frente de sua instalação no Recife, dando orientações e recomendando correções em vários pontos.

Em 7 de setembro de 1875, foi inaugurado bem próximo da igreja de Nsa. Senhora da Penha, numa praça onde ficava uma feira de peixes, frutas e verduras, oficialmente chamada de “D. Vital” mas que ficou conhecida pelo povo como “A Praça do Mercado”.

A aparência é elegante, colunas de mais de 7 metros de altura sustentam o telhado. Nas quinas e em alguns outros pontos, pra escoar a chuva, umas esculturas em forma de cabeça, meio de tigres, meio de gárgulas, também adornadas por figuras que lembram flores. Nas fachadas da frente o dos fundos, belos arcos preenchidos com folhas de ferro sob a cobertura, também ricamente decorada. O verde mais forte, o azul-claro e outras cores embelezam a armação desse grande prédio.

Apesar de já ter passado por reformas que o adequaram a sistemas elétricos e de já ter sido vitimada por um incêndio em 1989, a estrutura ainda é quase toda a mesma.

Desde sua inauguração sempre foi local de comércio de gêneros alimentícios, principalmente peixes. Ainda hoje uma boa parte das instalações é dedicada aos frutos do mar e na época de semana santa, elas ficam apinhadas de gente pra comprar pescado. Também é possível encontrar outros tipos de alimentos, ervas e sementes, além de artesanato do tipo mais utilitário, como redes, tapetes, chapéus, roupas e instrumentos musicais.

Aliás, por falar em instrumento musical, chegavam muitos  artistas de rua por aqui: repentistas, emboladores, palhaços, mágicos… Hoje já não é mais comum encontrar esse tipo de apresentação cultural, pois, com o passar do tempo, a partir dos anos 1970, com a cidade crescendo, aumentando, os supermercados começando a ganhar mais força e ainda mais, nos anos 1980, com o advento dos Shoppings, o tradicional prédio de ferro foi deixando de ser a grande opção de comércio e lazer da cidade, mas nunca perdeu o seu espaço.

É sempre frequentado por turistas que vêm de outras regiões do Brasil e do exterior pra conhecer a arte pernambucana. 141 anos depois, o lugar continua vivo e em movimento.

O Mercado de São José fica próximo da Basílica da Penha e do terminal de ônibus do Cais de Santa Rita. Está aberto em todos os dias da semana, sendo que de segunda a sexta, das 9:00 às 15 e nos sábados e domingos, de 9:00 ao meio dia.

 

Fonte: Mercado de São José: contando histórias em um lugar de memória – Isabel Cristina Martins Guillen – ANPUH – XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Fortaleza, 2009

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