Casa de detenção da cultura

Um dos pontos mais visitados por turistas e amantes da cultura pernambucana, um grande prédio com seus boxes de artesanato, lanches e com decorações lembrando motivos típicos. Em abril desse ano, a Casa da Cultura completou 40 anos. Um lugar histórico, que já abrigou a Casa de Detenção do Recife.

A ordem pra que fosse construído um presídio naquele local foi dada em 1848, e devido aos altos custos, a obra só foi concluída em 1867, dois anos após a morte de José Mamede Alves, o engenheiro que foi responsável por outras obras célebres na cidade do Recife, como o Cemitério de Sto. Amaro e o Ginásio Pernambucano.

Quando o presídio foi desativado, as muralhas foram derrubadas, mas teve-se o cuidado de deixar as partes onde existiram as guaritas. Também é possível ter uma ideia da espessura e altura dos muros que separavam a casa de detenção do mundo exterior.

O prédio é composto por 4 alas: Sul, Norte, Leste e Oeste. Olhando de fora, a gente já tem ideia de sua solidez. Em todas as alas, exceto a Oeste, virada pro rio Capibaribe, há umas esculturas lembrando a condição humana privada de liberdade e os rigores das penas impostas pelas leis.

Entrando pela ala, ou raio, como também é chamado, mais especificamente o Leste, temos a cela 106. O espaço foi mantido tal e qual era no tempo em que servia pra o cárcere, as paredes rabiscadas com desenhos, a grade e a porta… conta-se que lá havia presos políticos e que eles teriam sido torturados.

O engenheiro Mamede pensou o edifício com as mais modernas técnicas de arquitetura pra presídios que havia em seu tempo.

As quatro alas confluindo pra um saguão central, 3 andares mas nada de pisos entre eles, de modo que os carcereiros pudessem transitar sem obstáculos e ter a visão de uma área o mais ampla possível.

Vãos espaçosos pra que qualquer tumulto pudesse ser logo detectado e abafado. Na entrada principal, a que é voltada pro rio, foram preservadas as estruturas da guarda onde vemos as guaritas.

A casa de detenção começou a dar sinais de superlotação já nos finais do século XIX. Nas celas que deveriam abrigar no máximo 5 ou 6 presos, se empanturravam 13 ou 15. Também havia problemas com a disciplina dos guardas. Era questão de tempo pra que tudo entrasse em colapso de vez.

Mas apenas em 1973 é que o governo de Pernambuco resolveu desativar o presídio. Já existia essa intenção há muito tempo, tanto é que o artista plástico Francisco Brennand, em 1963, tinha um projeto pra fazer ali um centro cultural com exposição e ensino de artes, nos moldes de instituições que funcionavam em Paris.

A ideia de Brennand não foi aproveitada completamente, mas, pelo menos, em 1976, o edifício se tornou um centro de venda de artesanato e apresentações culturais, que acontecem tanto dentro como do lado de fora, onde há um pequeno anfiteatro.

A Casa da Cultura, que um dia foi de detenção, é um dos pontos que vale a pena a visita.

Está aberta em todos os dias da semana, de segunda a sexta, das 9 às 19 horas, sábados, 9 às 18 e domingo, das 9 às 14. Pra quem vai de carro, o estacionamento é pago e tabelado.

Acesse o site da Casa da Cultura pra maiores informações

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