Entre cangaceiros e santos

Vamos estar agora entre cangaceiros e santos. Num lugar importante, que mostra uma parte da história de fenômenos que estão entre os mais estudados e discutidos quando falamos do sertão nordestino. O Museu do Cangaço e Cidade de Triunfo.

O Museu gira em torno da figura de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, que, por vários motivos, acabou sendo mitificado no imaginário popular.

O “mito” de Lampião

Um dos motivos que fez com que Virgulino fosse romantizado, foi sua fama de “Hobin Hood” brasileiro.

Fazendo caridades com sua visão “mística” muito particular e bastante discutível, ele conseguia impôr sua força e seus próprios “códigos de ética”, se valendo do isolamento do sertão e do prestígio que tinha entre muitos proprietários rurais, sendo um deles o dono da Casa Grande das Almas, que já visitamos aqui no Reverso do Mundo.

O Museu foi criado por iniciativa da Sociedade Mantenedora do Museu do Cangaço em Triunfo, que foi fundada em 1975.

Ela conseguiu reunir pessoas que tiveram bastante persistência pra adquirir objetos de cangaceiros em várias cidades de Pernambuco e outros estados e com eles formar um acervo que se não é tão numeroso, tem o grande mérito de reunir peças genuínas, certificadas por historiadores e demais autoridades no assunto.

É possível ver muitas armas, tanto as de fogo quanto os variados tipos de armas brancas.

Também objetos de uso cotidiano, além de peças, que segundo contam as informações do museu, foram confeccionadas pelo próprio Lampião, como bainhas de couro pra as armas e até uma máscara pra se proteger dos galhos e espinhos durante fugas e emboscadas nas caatingas.

Também há reproduções de fotos e obras de arte alusivas aos cangaceiros.

A história do Vale do Pajeu

Existem outras alas do Museu. Uma delas é dedicada à exposição de objetos variados. A história da cidade mostrada através de utensílios que compuseram o passado, a vida das pessoas que começaram construir a cidade de Triunfo, bem como outras tantas daquela região sertaneja.

Lá estão malas e baús dos comerciantes e caixeiros viajantes, pilões, jarras, uma prensa de farinha… tudo com uma ambientação de pedras. É impressionante o uso da pedra nesses sertões.

A influência da Igreja

Outra ala é dedicada a peças de arte sacra. Crucifixos e armários desses que ficam em sacristias, guardando as hóstias, cálices, entre outros instrumentos usados em missas, oratórios para culto familiar, imagens de santos, objetos que chamam a atenção pela beleza simples e em alguns casos até mesmo rústica.

Há até um piano que era tocado em missas no começo do século XX e alguns outros objetos, como fotos de religiosos, que nem são tão antigos assim, mas sempre tiveram um valor afetivo pra a comunidade católica e por isso foram guardados.

Uma visita ao Museu do Cangaço e Cidade de Triunfo é uma boa oportunidade para conhecer um pouco mais a história e a cultura da região do Vale do Pajeú.

Apesar de pequeno, ele tem uma boa estrutura, uma ambientação muito interessante e, como a gente já disse antes, peças genuínas.

  • Pra entrar no museu, você paga uma taxa de visitação de 4,00 reais e ele está aberto de Segunda a sábado, de 8 às 12 horas e de 14 às 17 e nos domingos, das 8 às 12 horas.

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