As inscrições pré-históricas da Pedra do Ingá

Uma pequena cidade do interior da Paraíba guarda um dos maiores mistérios da história da humanidade: as inscrições pré-históricas da Pedra do Ingá, enigmas gravados numa área de lajedo na zona rural do município.

Como chegar na pequena cidade de Ingá

Vamos visitar esse local que vem passando por transformações importantes nos últimos anos.

A cidade fica no Agreste paraibano. O acesso desde João Pessoa se dá pela BR – 230, a distância da capital do estado até Ingá é de 107 quilômetros

Também pela mesma rodovia pode-se chegar até Campina Grande, uma das maiores cidade do interior do Nordeste e que fica bem mais perto de Ingá, a pouco mais de 38 quilômetros.

O Sítio Arqueológico da Pedra do Ingá fica a cerca de 5 quilômetros do centro do município e infelizmente a estrada não é nada boa.

É preciso ter cuidado com as ondulações e buracos pelo caminho, porém, com atenção, é possível se desviar dos buracos, pois a estrada não é muito movimentada, não havendo riscos ao desviar de um lado pro outro.

Chegando ao Sítio, há uma praça onde se pode estacionar. É comum de uns tempos pra cá também encontrar ônibus de excursões de escolas de várias cidades da Paraíba e de estados vizinhos, com estudantes de ensino médio, também chegam muitos universitários de cursos de História, Geografia, etc. Além de grupos da melhor idade e até de associações de deficientes visuais, entre muitos outros.

Pra entrar no casarão onde fica a sede do Museu de História Natural, que foi todo reformado recentemente, o visitante deve pagar uma taxa de R$ 5,00, crianças acompanhadas por pais ou responsáveis pagam 3 reais.

Os horários de visitação são das 9:00 horas até o meio dia e de 13 a 16 horas. Sábados e domingos, só pela manhã.

Na entrada do casarão somos recebidos com uma saudação em três idiomas, isso não é exibicionismo, é uma forma de cortesia aos pesquisadores de outros países que vem frequentemente a Ingá pra estudar os sinais na rocha.

O Museu de História Natural

Entrando no prédio, na sala de exposições, podemos ver fósseis de animais e vegetais que foram encontrados na região onde hoje estão os municípios de Ingá e seus vizinhos. Além de uma cópia em negativo de uma parte das inscrições. Algumas dessas peças estão aqui há pouco tempo, foram trazidas depois da reabertura do museu.

Uma das peças, a figura gravada na pedra, foi feita por Dennis Mota, um dos pesquisadores das inscrições rupestres.

Ele usou como base um bloco de rocha do mesmo tipo de onde estão as inscrições e esculpiu, usando um seixos, água e areia pro polimento, uma figura parecida com as que existem no lajedo, pra demonstrar que seria perfeitamente possível alguém fazer esse trabalho sem que tenha vindo de outro planeta e usado tecnologias diferentes, como querem insistir uns e outros por aí.

Saindo do salão do museu e passando para os fundos do casarão atravessando uma passarela que foi melhorada durante a reforma do espaço, temos acesso ao terreno rochoso onde ficam as inscrições rupestres.

As inscrições pré-históricas da Pedra do Ingá

No paredão formado pelo lajedo, conhecido como “painel vertical”, podemos ver uma profusão de inscrições. São símbolos deixados por culturas que antecederam os índios.

As misteriosas inscrições nas rochas

Não se pode determinar com precisão há quanto tempo esses sinais foram feitos porque o rio que corre por trás das pedras, quando está em seus períodos de cheia, passa por essa área com toda a força, quase que formando uma cachoeira e isso cobre toda a extensão das inscrições, “lavando” a pedra e fazendo com que qualquer resíduo orgânico com que seria possível fazer datações, se misture a outros de épocas posteriores.

O que se pode afirmar é que existem várias “técnicas” de inscrições na pedra e que isso tudo foi feito com o passar das gerações, não por apenas uma comunidade, num curto espaço de tempo.

Existem marcas por outros locais também. Algumas delas, por trás do lajedo, tem marcas onde se supõe que as ferramentas de pedra  recebiam acabamento. Outras foram feitas no sopé do “painel vertical e podem fazer referência aos planetas e estrelas.

Algumas são mais ou menos visíveis de acordo com a hora, as condições do tempo, etc… pesquisadores costumam vir aqui pela noite, em tempo de lua cheia, pra verificar alguns sinais que são quase imperceptíveis durante o dia, ainda mais numa área de rochas que refletem a luz solar.

Uma dessas marcas chama a atenção pois não foi feita por comunidades ancestrais.

Teriam os Jesuítas deixado suas marcas lá também?

Como Ingá estava na rota de comboios e missionários que se deslocavam dos sertões paraibanos pra cidades do litoral, é provável que algum bispo tenha parado no lajedo de Ingá e ao ver o que na época era considerado como “coisa de inspiração demoníaca” gravou ali um escudo da sua ordem religiosa, a inscrição pode ter sido feita com algum objeto pontiagudo de metal e está muito tênue, mas é possível ver uma gravação que assinala o ano de 1733.

As inscrições pré-históricas da Pedra do Ingá

Quase tudo no Sítio Arqueológico da Pedra do Ingá são mistérios, perguntas a serem desvendadas, outras que talvez nunca sejam.

O mais importante é levar a frente os trabalhos de pesquisa e cuidar do meio ambiente: a natureza é bastante sensível, agora mesmo, temos uma época de estiagem na região e a área onde está o lajedo de Ingá está toda seca.

Quando puder, visite a Pedra do Ingá e veja de perto os seus mistérios e também as belezas de um local único.

Saiba + sobre itinerários, hospedagens e outras informações: Blog do Vavá da Luz (Secretário de Turismo de Ingá)

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