As histórias e belezas de Bonito

Já visitamos lindas praias no litoral da Paraíba e de Pernambuco. Agora é hora de seguir pra as serras do Rodeadouro, entre o fim da Zona da Mata e o início do Agreste pernambucano. É lá que vamos conhecer as histórias e belezas de Bonito.

Contam os historiadores que lá pelo séc. XVII, o lugar fazia parte do Quilombo dos Palmares. Depois de destruída a resistência negra, ficou praticamente desabitado, um vasto território de matas espessas e rios.

Muitos anos depois, já no séc. XVIII, caçadores vindos dos lados da Serra Negra, começaram a explorar a região, e teria saído daí o nome da cidade, pois um deles teria dito “Que lugar bonito!”.

No começo do século XIX, algumas famílias se estabeleceram por lá, construíram umas casas e a igreja que depois veio a ser a Matriz de Nossa Sra. da Conceição, no ano de 1812.

Duas décadas depois, o lugar era oficialmente batizado com a referência que era feita pelos caçadores que se admiraram ao ver o local e era emancipado.

Hoje, Bonito é uma cidade que tem por volta de 58 mil habitantes e vem se desenvolvendo. Oferece opções de hospedagem, restaurantes e pequenos mercados até bem variados, ao mesmo tempo que segue preservando os costumes do interior, com suas memórias de tempos passados.

Há alguns monumentos históricos bastante significativos, alguns deles ligados à fé católica, como a própria Matriz de Nsa. Sra. da Conceição e a Igreja de S. Sebastião.

Bastante interessante também é a chamada Coluna de São Pedro, uma espécie de ermida (pequena capela) que tem uma torre bem alta, que antigamente era uma construção que marcava o território da cidade pra quem vinha de longe.

Outros pontos históricos importantes formam o casario do século XIX. Destaque pra um casarão que pertenceu a um coronel de nome Joaquim Pereira, que ao tomar conhecimento da Guerra do Paraguai (1864 – 1870) se mandou pro Recife e de lá pro campo de batalha, servindo como voluntário.

Mas quem vai a Bonito tem que conhecer as cachoeiras e rios. O Turismo Rural e Ecoturismo são as principais atrações da cidade. Tanto que já na entrada, há um pórtico com colunas estilizadas que lembram cachoeiras e há um Centro de Atendimento ao Turista.

Natureza cachoeiras de Bonito Pernambuco

É possível contratar guias credenciados que levam as pessoas pelos caminhos mas adequados e principalmente pra as trilhas onde há cachoeiras pra onde não se pode ir de carro. Eles podem ser encontrados no Centro de Antedimento ao Turista e os valores da diária variam dependendo da distância que você queira percorrer.

O acesso até a região onde ficam as cachoeiras é feito depois de sair da avenida principal até a Rodovia PE – 103.

A partir da saída do núcleo urbano, você segue pela estrada asfaltada, porém, deve ficar atento às curvas e ribanceiras. Vá sem pressa e tente perceber a grandiosidade das paisagens ao redor.

Chegando ao décimo quilômetro da estrada há uma entrada à esquerda. É pra lá que fica uma série de cachoeiras entre a mata.

Essas trilhas não são perigosas nem é necessário o uso de equipamentos específicos como capacetes ou luvas pra percorrê-las. Mas fique ligado: em alguns trechos pode haver algum desnível ou restos de troncos pelo chão. Observe bem o local e siga as orientações do guia pra ter um passeio sem sustos.

A nossa primeira parada é no final da PE – 103 em Bonito. Num rio que fica na área de um “ecoparque”. Há uma parte privativa às pessoas que pagam uma diária de 20 reais e também pra quem se hospeda na pousada, com preços que variam entre R$ 220 a 290 a diária.

Também pode-se ter acesso à área de prática de tirolesa, rapel e escalada de paredão, com preços que vão de 15 a 25 reais. Tudo isso com guias e o material de segurança necessários.

A área ao lado do restaurante do parque é aberta ao público e de acesso gratuito. A transparência da água, um sinal de poluição praticamente zero no lugar, é impressionante.

A mata, os peixinhos passando na água limpa… A cachoeira por lá não é das mais altas nem espetaculares mas visão da correnteza chegando de leve até se chocar com as pedras é um convite à contemplação da natureza.

Partimos dali pra última cachoeira do percurso. A Véu de Noiva II (existem diversas quedas d’água com esse nome por esse Brasil afora, pelo efeito da água que lembra o vestido de casamento). Ela também fica às margens da rodovia, numa propriedade particular.

O acesso até lá custa 5 reais que, definitivamente, valem ser pagos.

Não há dificuldades pra se chegar ao local do Véu de Noiva. Nos fundos de uma casa,  por um caminho de pedras que em alguns locais formam alguns pequenos declives, mas não há perigo, existem cordas onde se apoiar.

Ao longo do curso do rio há diversas pequenas cachoeiras e uns pontilhões sobre alguns trechos, o que facilita a experiência, sem interferir na ordem natural do ambiente. O que é mais importante.

Num certo trecho, a queda d’água maior. Uma dessas belezas naturais que causa um prazer imenso só de estar ali, tendo o privilégio, de, em dias tão conturbados, saber que ainda podemos estar diante de um cenário como esse.

Há algumas corredeiras menos volumosas, onde a água apenas passa por sobre as rochas. Dos lados, podemos ver a limpidez do rio, vemos os restos de troncos e pedras debaixo d’água.

Quando vier ao interior de Pernambuco, vale muito a pena incluir Bonito em seus roteiros. A cidade fica a 132 quilômetros da capital Recife, com acesso via BR – 232 até a cidade de Bezerros, daí, passando para a Rodovia Estadual PE – 103.

Com certeza, você passará bons momentos nessa cidade, poderá fazer trilhas e aventuras pela mata e estar em contato direto com a natureza.

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