Festival de Inverno de Garanhuns – As origens

Estamos na cidade onde todos os anos, no mês de julho, é realizado o Festival de Inverno de Garanhuns. Em 2017, o evento completará 26 anos.

As origens deste grande festival estão na estação ferroviária. Um prédio que foi inaugurado em 1887, algum tempo depois da linha que cruzava boa parte do estado de Pernambuco, ligando a capital ao sertão.

Como a cidade não estava na mesma rota dessa ligação, a ferrovia até lá foi uma abertura de caminhos pra região sul do interior pernambucano.

Nos primórdios, viajar de trem até a capital levava cerca de 12 horas. Hoje em dia isso pode parecer uma eternidade pra uma distância de 200 e uns quilômetros. Mas numa época em que não existiam as rodovias, era um grande alívio, pois uma viagem em comitivas, no lombo de cavalos, poderia durar até uma semana e era bastante perigosa.

A estação, de arquitetura inglesa, seguiu o ciclo de outras de seu tipo que funcionaram no estado, acabando por sofrer as consequências do aumento da utilização do transporte rodoviário, entrando em decadência a partir dos últimos 25, 30 anos do século XX.

E assim como aconteceu em outras cidades, ela passou a ter outro tipo de uso. No caso específico de Garanhuns, a estação foi transformada em centro cultural no ano de 1971.

A estrutura original do prédio, de uma forma geral, foi conservada, a não ser na parte lateral: onde antes existiam módulos separados pra a passagem do trem, embarque de pessoas e de cargas, foram erguidas paredes com escadarias e portas pra instalação do auditório e outros equipamentos. A Biblioteca Municipal também era aqui, antes de ser transferida pra um parque urbano nas proximidades.

Ruas arborizadas e praças compõem essa parte da cidade. O clima do lugar, ameno e até frio em certas épocas do ano, facilita o desenvolvimento das flores de uma forma mais brilhante e colorida.

E foi justamente em função do centro cultural que começou a ser gerado, no final dos anos 1980, o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG).

O arquiteto Marcílio Reinaux Maia relatou, em um depoimento num blog, que o Festival foi ideia de seu tio, que sonhava que a cidade pudesse ter um evento semelhante ao Festival de Inverno de Campos de Jordão, em SP.

Marcílio Lins tinha acesso ao prefeito da cidade e começou a tentar convencê-lo a apreciar a ideia pra juntos acionarem outras pessoas que pudessem patrocinar e organizar um evento desse porte.

Depois de algumas reuniões em Garanhuns e no Recife, com empresários e com jornalistas influentes, os planos começaram a tomar corpo no começo de 1990. Porém, não foi possível realizar o FIG já nesse ano por falta de tempo hábil pra captar verbas e mobilizar empresas, entre outras providências.

Mesmo assim, a possibilidade de se fazer o evento repercutiu muito bem, principalmente entre a imprensa.

E isso, segundo Marcílio Reinaux (o sobrinho), teria influenciado positivamente pessoas ligadas à Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e ao próprio governador do estado na época, viabilizando, dessa maneira, a realização do FIG em 1991.

A primeira edição foi feita em 15 dias, de 13 a 28 de julho. com apresentações de teatro, recitais literários, exposições no centro cultural e com shows musicais num palco ainda tímido, montado do lado da antiga estação, contando com shows de Zé Ramalho, Alceu Valença e Dominguinhos.

De acordo com o depoimento de Reinaux, um grande objetivo de seu tio seria fazer o festival durante todo o mês de julho, colocando atrações mais famosas nacionalmente pra se apresentar nos finais de semana, enquanto artistas novatos e ainda não conhecidos fora de Pernambuco, tocariam nos dias úteis.

Porém, devido a restrições orcamentárias e logísticas, aconteceu justamente o inverso, o FIG foi se consolidando como um evento mais curto. A partir da segunda edição, ele já era realizado em 10 dias.

Seja como for, o FIG conseguiu se manter e se diversificou. Hoje ele é realizado em diversos locais da cidade, entre parques públicos, igrejas, praças, em lugares fechados e ao ar livre…

A “apoteose” é na Esplanada Mestre Dominguinhos. Todo esse amplo espaço, que já teve o nome de Praça Guadalajara, em homenagem à seleção de futebol que conquistou a Copa do Mundo em 1970, no México, é onde ficam  os maiores palcos, as plataformas de transmissões de rádio, TV e internet, os camarotes e muitos milhares de pessoas.

Nos demais meses do ano, a praça é ocupada de forma esporádica por shows, parques de diversões, eventos religiosos e outros de pequeno porte.

Pra quem quiser chegar na cidade pra curtir o Festival e vai pela primeira vez, é muito prudente tomar algumas medidas de precaução.

Confira em um bom site de hospedagens as opções disponíveis e reserve o quanto antes. A cidade tem uma rede hoteleira bem razoável, com váriadas faixas de preços e tarifas.

Garanhuns costuma ter um tráfego bem intenso de caminhões de carga na Rodovia de acesso ao município em qualquer época do ano. Isso nos dias do FIG, junto com a quantidade de outros veículos, tanto coletivos quanto particulares, pode causar demoras acima do esperado até chegar na cidade. Seja paciente.

No mais, é se divertir. A cidade, independente da época do ano, oferece atrações e lugares pra todos os gostos.

 

SaibaBlog do Ronaldo Cesar, onde há o depoimento sobre a criação do FIG
Site do Festival no Portal da Cultura Pernambucana

Participe, comente esse post: