Recife e a visita do Imperador

Em 1859, D. Pedro II estava de viagens pelas províncias do país. Chegou a Recife nos finais daquele ano e desembarcou num local que ficou conhecido como o Cais do Imperador.

Não existia ainda o Porto do Recife tal como ele é hoje, então a maioria dos navios ancorava e fazia seu movimento de carga e descarga do lado oposto, em frente à Alfândega, que hoje é um Shopping Center. Como vimos num post do Reverso há alguns meses.

O monarca desceu do navio onde viajou e seguiu em cortejo por cerca de 170 metros no Rio Capibaribe, com muitas embarcações pequenas ao redor de seu barco.

Um Pier improvisado

O governo de Pernambuco, que na época era chamado de província, (a nomenclatura “estado” só veio a ser adotada depois da República, em 1889) havia preparado um píer pra que a comitiva de D. Pedro II desembarcasse.

O lugar foi escolhido por ser bastante amplo naquela altura. Havia um enorme pátio, em frente onde ainda hoje está a igreja do Divino Espírito Santo e não existiam prédios, como o que veio a ser construído em 1938, abrigando o Grande Hotel, onde também funcionava um cassino. Prédio que hoje abriga o Fórum Thomaz de Aquino.

Na Praça 17, onde hoje fica o monumento aos aviadores portugueses que cruzaram o Oceano Atlântico em 1922, ainda não tinha quase nada.

Toda a redondeza era um lugar bastante propício pra solenidades e assim o povo pôde se aproximar um pouco de D. Pedro II.

Naquele dia, houve salvas de tiros, queima de girândola… Milhares de pessoas, entre as autoridades locais e a multidão, estava à espera do monarca em solo recifense.

Conta-se que foram… improvisadas, digamos assim, algumas lamparinas pra serem penduradas nos postes, pra que aquele trecho de cidade, que ainda não tinha iluminação, ficasse com uma aparência mais “sofisticada”.

D. Pedro e o nome do Palácio

Depois da chegada de D. Pedro II em terra firme, ele foi ouvir missa na igreja do Espírito Santo. Logo após a solenidade, o cortejo seguiu pela então Rua da Cadeia, (depois rebatizada com o nome “Rua do Imperador”) até o Palácio do Governo.

Aliás, foi depois da passagem do monarca que o prédio ganhou o nome que tem hoje: “Palácio do Campo das Princesas” pois suas filhas costumavam brincar nos jardins da sede do poder da província de Pernambuco.

Depois do Recife, D. Pedro ainda iria até as cidades de Moreno, na Zona da Mata, Igarassu, Olinda e Vitória de Santo Antão.

E o cais? Que destino teve?

Ele foi desativado depois da visita do monarca e não teve mais nenhum uso específico.

Na década de 1960, o local ainda serviu como subestação do sistema de ônibus elétricos que circularam na cidade, mas quando as máquinas saíram de circulação, o velho cais voltou ao desuso.

Apenas no ano passado alguns projetos pra revitalizar o local começaram a ser feitos. Depois de bastante tempo, a Prefeitura do Recife fechou as estruturas com tapumes e começou a obra.

A redescoberta

Agora, o espaço foi aberto e já pode receber visitas. Uma franquia de lanches e cafés instalou uma unidade no local. Também foi feito um pequeno anfiteatro com capacidade pra 100 pessoas.

Os banheiros públicos, que foram construídos em uma outra época, bem depois da passagem de D. Pedro II, foram restaurados.

A história também pode ser vista em algumas placas instaladas no local. Reproduções de gravuras e fotografias, com textos escritos em português e inglês, relatam as mudanças pelas quais passou o lugar do desembarque de D. Pedro II, desde antes de 1859 até hoje em dia.

Também há bancos pra quem quiser simplesmente relaxar olhando a bela vista do bairro do Recife Antigo, suas pontes e o movimento de alguns barcos de pesca artesanal ou de remo, que passam uma vez e outra.

Portanto, quando for ao Recife Antigo, passe no Cais. É um lugar interessantíssimo, cheio de histórias e que foi remodelado de uma forma muito bonita, podendo proporcionar lazer e descanso pra os seus frequentadores.

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