Ainda dá pra amar Olinda?

Domingo, 12 de março de 2017. Festa de aniversário de 482 anos da cidade de Olinda.

O curioso é que não se sabe qual foi o dia exato da fundação da cidade… Como assim??

Peraí que nós vamos explicar:

Duarte Coelho Pereira, (esse realmente se sabe que foi o fundador da cidade) foi enviado para a região onde hoje fica o Canal de Santa Cruz, entre os atuais municípios de Igarassu e Ilha de Itamaracá e desembarcou num local onde hoje fica o Sítio dos Marcos, em Igarassu. Já mostramos esses lugares em outros posts passados do Reverso.

Nessa época, março de 1535, Duarte, que trazia junto com ele várias outras pessoas, resolveu fazer uma espécie de verificação dos territórios próximos, rumando para o sul de onde tinha se estabelecido inicialmente. Queria ver onde é que se poderia começar a instalação de engenhos de cana-de-açúcar, a retirada de Pau-brasil… etc.

Nisso, em um determinado dia de março de 1535 ele chegou a Olinda. Distante cerca de 25 km. Pode mesmo ter sido no dia 12… pode ter sido no dia 13…16…

O Foral de Olinda

O que tem data e realmente é de 12 de Março é o Foral de Olinda. Uma espécie de “inventário” feito por Duarte ao Rei de Portugal, onde ele relata como é a nova vila, o que é que tem no lugar, o que ele pretende fazer pra tirar as riquezas pra levar pra metrópole, do que ia precisar… etc.

Mas esse documento é de 1537. O fidalgo já estava na cidade há pelo menos 2 anos. Tanto é que já tinha mandado construir a igreja do Monte e, no Alto da Sé, construiu um pequeno forte de taipa de pilão.

Portanto, o tal Foral, é a assinatura de firma de uma cidade que já existia antes, desde 1535. A data de seu aniversário ficou sendo 12 de março por causa desse documento…

Confuso? Mas foi mais ou menos isso mesmo que aconteceu.

Oh! Linda situação para uma vila

A história que contam por aí de que Duarte Coelho exclamou “Oh! Linda situação para uma vila” é conversa fiada.

O mais provável, segundo alguns autores, é que o fidalgo tenha batizado a cidade com esse nome por causa de um burgo em Portugal. Era costume dos primeiros colonizadores dar nomes de localidades portuguesas às que iam tomando aqui no país. Óbidos, no Pará, Porto de Viamão, que depois virou Porto Alegre, capital do RS. E por aí vai…

Outra teoria conta que Duarte gostava de ler livros de capa e espada e estava lendo o Auto de Amadis de Gaula, onde havia uma personagem chamada Olinda.

O Alto da Sé e o início da cidade

A região do Alto da Sé é uma das mais conhecidas e visitadas por turistas de outras cidades do Brasil e de outros países. Foi lá que começou a cidade. É onde fica hoje a rua Bispo Coutinho, considerada a primeira de Olinda. Ela vai da frente da Catedral da Sé, que foi concluída em 1540, até a Igreja da Misericórdia, do começo do século XVII.

Lá nessa rua existe o que é hoje o Museu de Arte Sacra de Olinda. Ele está no mesmo local onde a família de Duarte Coelho morou. Inclusive, depois de sua morte, em 1554, a sua viúva, D. Brites de Albuquerque, assumiu várias funções administrativas até pelo menos 1584.

Também nessa área a gente pode destacar o prédio da Academia Santa Gertrudes, um tradicional colégio, fundado em 1902 e o Observatório, que hoje é administrado pelo Espaço Ciência.

Em algumas épocas do ano, ele abre suas portas para o público em geral e sempre quando há eclipses, chuvas de meteoros ou quaisquer outros fenômenos astronômicos, o Espaço desenvolve alguma atividade pedagógica e amantes desses tipos de ocorrências podem ter acesso a oficinas e discussões sobre astronomia.

Este prédio foi construído em 1896 e lá foi feita a observação de um cometa que depois ganhou o nome de Cometa Olinda, ele é o primeiro descoberto na América Latina e o único descoberto no Brasil até hoje.

Nas décadas seguintes, a cidade foi se expandindo, descendo a ladeira, tando do lado direito do Alto da Sé, onde há o Convento Franciscano, quando pro lado esquerdo, onde podemos chegar até os Quatro Cantos, Amparo, o Mosteiro de São Bento e finalmente, já próxima da entrada da cidade, a Igreja de Nsa. Senhora do Carmo, de 1580.

Entre o final do século XIX e principalmente a partir do século XX, novos bairros foram sendo abertos. A população foi aumentando.

Mirantes pro Recife

Em vários pontos da cidade antiga há mirantes, o mais movimentado deles, de onde são tomadas grande parte das fotos do Sítio Histórico olindense (você pode comprovar isso através de uma busca por imagens no Google) é o da Sé, mas existem vários outros, como o da Praça Laura Nigro, onde há o Museu do Mamulengo e a mais uns 100 metros de distância, o Mercado da Ribeira.

As pessoas costumam encostar na mureta desse mirante pra tirar fotos onde é possível admirar o porto do Recife e é bastante latente o contraste entre os prédios altos de lá e a paisagem colonial de Olinda

Recife começou a ser ocupado um pouco depois de Olinda e, na verdade, não passava de um povoado de pescadores. O porto começou a funcionar já nessas alturas, mas era pra servir a Olinda. Recife não era a capital de Pernambuco, aliás, nem sequer tinha autonomia.

Com a invasão holandesa de 1630, a velha cidade sobre as colinas foi deixada de lado. Era complicado fortificá-la, já havia uma razoável população pros padrões da época, então os invasores tomaram Recife.

Isso fez com que eles, pra conseguirem se defender e organizar uma estrutura onde fosse possível explorar a cana-de-açúcar, começassem a organizar o ambiente.

Essa organização de intensificou mais ainda com a chegada e as providências tomadas por Maurício de Nassau, no sentido de conceber espaços urbanos que acabaram por fazer com que no Recife passasse a existir uma infraestrutura que a tornasse independente de Olinda.

Não foram os holandeses que emanciparam Recife de Olinda e muito menos que fizeram com que a cidade onde havia o porto se tornasse a nova capital do estado. Isso aconteceu em 1827, mais de 100 anos depois do final da invasão. Mas os batavos foram, com certeza, os primeiros a dar condições pra que Recife tomasse o lugar de Olinda como capital de Pernambuco.

Ainda dá pra amar Olinda?

Mas voltando a Olinda, no Sítio Histórico, convivendo com as pessoas, vendo a criatividade que aflora em cada quarteirão, com ateliês e mesmo as placas de sorveterias, pousadas, a pintura das casas e o formato das ruas, realmente pode-se perceber que não se trata de um lugar qualquer.

Porém e infelizmente, também há os pesares. Sempre há os senões…

Alguns locais históricos, como as bicas que datam de entre os séculos XVIII e XIX estão em péssimo estado de conservação. Aquela velha equação entre a educação das pessoas e o atraso ou o não recolhimento do lixo parece nunca se fechar.

Temos algumas importantes igrejas, (por mais que se tenha ou não religião, as igrejas muito antigas são importantes enquanto marcos históricos e sociais) apresentam problemas crônicos de conservação e algumas delas já foram fechadas pra a visitação pública. Há várias coisas que precisam ser revistas. Os terreiros, de onde surgem os toques dos tambores frequentemente são negligenciados… enfim.

Mas, ainda dá pra amar Olinda?

Pra nós aqui do Reverso, que apesar de não vivermos no Sítio Histórico estamos constantemente por lá pra contar histórias e captar imagens, ainda há muita coisa a se aproveitar nessa cidade.

Nenhum artigo nesse blog até agora, feito em Olinda, foi algo pra “tapar algum buraco” por não podermos viajar em algum período. Sempre há e ainda vai haver muita novidade pra contar e nós vamos trazer várias delas aqui nesse espaço.

 

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