Gigantes de pedra de Fazenda Nova – PE

Estamos finalizando a nossa passagem pela cidade de Brejo da Madre de Deus, onde, todos os anos, desde o começo dos anos 1950 (só com uma interrupção entre 1962 e 67, durante a construção da cidade teatro de Nova Jerusalém) é encenado do Drama da Paixão de Cristo. no distrito de Fazenda Nova,

Hoje vamos conhecer um local bem próximo de onde ficam as muralhas da cidade teatro idealizada por Plínio Pacheco. Trata-se do Parque das Esculturas Monumentais Nilo Coelho.

Como vimos no post sobre a Paixão de Cristo, a cidade teatro de Nova Jerusalém ficou pronta pra receber seu primeiro espetáculo da Paixão de Cristo no ano de 1967.

Porém, o que tinha sido construído era o mínimo possível pra dar condições à encenação, pra que o público pudesse entrar e se acomodar.

Durante os anos 1970, várias estruturas ou foram sendo acrescentadas ou melhoradas e obras menores continuaram a ser feitas no local. Ao mesmo tempo, fora do período de páscoa, vários eventos culturais aconteceram em Nova Jerusalém.

Rock, MPB, teatro e cinema dentro das muralhas de Nova Jerusalém

No começo de novembro de 1972, o dramaturgo José Pimentel, que interpretou Jesus Cristo de 1979 até 1996 e teve fundamental importância pro desenvolvimento de Nova Jerusalém, promoveu sua montagem da peça “Calígula”, texto de Albert Camus.

Dias depois foi a vez da Feira Experimental de Música, reunindo artistas e bandas que promoveram um evento bem ao modo dos festivais alternativos que aconteciam nessa época: com muito ácido e Rock and Roll psicodélico.

Em 1974 também aconteceu por lá um outro festival só que com artistas mais conhecidos do grande público, como Gal Costa, Gilberto Gil. Luís Melodia, entre outros. A intenção dos organizadores era fazer eventos periódicos com artistas da música popular brasileira, mas por vários motivos, esses projetos não foram pra frente.

Nesse mesmo ano Nova Jerusalém foi cenário pro o filme “A Noite do Espantalho”, com a participação de Alceu Valença, Geraldo Azevedo e José Pimentel. O filme é um musical que conta a história de uma comunidade de agricultores que resolve se insurgir contra o coronel, desses bem típicos do interior do Nordeste, que detinha o poder sobre a vida e a morte das pessoas.

Os operários precisam trabalhar

No momento da primeira encenação, em 1967, cerca de 15 a 20% de Nova Jerusalém estava de fato pronto, como Plínio Pacheco tinha idealizado.

Com o passar do tempo e a evolução das obras, o gaúcho previu que assim que tudo fosse terminado, não haveria mais trabalho pra os homens do campo que tinham se convertido em operários por causa da construção de toda aquela cidade teatro.

Aqueles que não fossem aproveitados para trabalhar em outras atividades que continuariam a partir de quando todo o teatro ficasse pronto, não teriam mais do que viver.

O próprio governador de Pernambuco no final dos anos 1960, Nilo Coelho, chegou a falar com Pacheco. Os dois conversaram muito sobre que destino aqueles trabalhadores teriam depois que os cenários e demais estruturas fossem concluídos.

Plínio se encontrou com Nilo outras vezes e o político prometeu costurar com a Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur) uma espécie de convênio pra que alguma outra obra que pudesse mobilizar um número grande de pessoas pudesse ser feita em Fazenda Nova.

Gigantes de pedra de Fazenda Nova começam a nascer

Mas o que seria feito? Um museu? Outra cidade pra encenar outros episódios marcantes da história? Não.

A partir do final dos anos 1970 e da observação de bonecos feitos por artesãos do Alto do Moura, em Caruaru, Plínio Pacheco resolveu que, num terreno ao lado das muralhas, iriam ser confeccionadas imagens semelhantes, porém, não em barro e sim na pedra granito e que não iam ser bonecos pequenos mas representações gigantes.

Os mesmos artesãos que usaram suas ferramentas pra esculpir as construções que representavam templos bíblicos, iriam agora erguer figuras de pedra, gigantes que mediriam entre 3 e 7 metros de altura.

As imagens representam a cultura do interior de Pernambuco e do Nordeste, em vários aspectos. Existem 37 obras que estão distribuídas em nove setores, de acordo com alguma temática em comum.

A religiosidade e o misticismo, além do Carnaval, estão representados por figuras de santos, pagadores de promessas, beatas, assim como personagens como “O morto carregando o vivo”, “O homem da cobra” etc.

O trabalho está representado em um setor onde há esculturas da mulher rendeira, do pilão, do vendedor de doces, entre outras.

Há também figuras de amimais que foram incorporados ao folclore pernambucano, como o Bumba-meu-boi e o Leão do Norte.

E, como não poderia deixar de ser, os cangaceiros Lampião e Maria Bonita também se fazem presentes. É impressionante como esse tipo de banditismo se mistura às tradições do interior de vários estados do Nordeste. Conta-se que os pais de Diva Pacheco, esposa de Plínio, ouviam histórias romantizadas sobre as peripécias de Lampião e, por isso, a colocação desses personagens entre as esculturas de granito do Parque.

Como chegar e se deslocar dentro do Parque das Esculturas Nilo Coelho

O Parque fica entre a Caatinga, conta-se que Plínio Pacheco tinha muito apego pelas plantas. Mas, nem por isso é difícil chegar lá.

Há uma entrada sinalizada indicando a direção do Parque das Esculturas, no lado esquerdo de quem vem da PE – 145 pra o pátio do teatro. A distância dessa entrada até o Parque é de 1.500 metros. Esse percurso é feito por estrada de terra.

No final, há uma casa com guarita pra controle de entrada e saída de veículos. Sim, por que só é permitida a entrada ou de transportes de excursões ou de carros particulares. Nessa guarita, você recebe um folheto com o mapa do local, as direções por onde percorrer pra aproveitar a beleza das obras de arte ao ar livre. No percurso, dentro do Parque, há setas sinalizando o caminho entre um setor e outro.

Cuidados e demais dicas

  • Ao chegar em um dos setores com os conjuntos de esculturas, você pode descer do veículo pra tirar fotos junto das imagens. Não há perigo de aparecerem gatos do mato ou outros animais.
  • No último setor há mandacarus bem maiores. Em tempos mais secos, espinhos igualmente grandes e que podem provocar problemas podem se espalhar por algumas áreas próximas. Portanto, cuidado onde pisa e nunca toque nas plantas.

  • Não há lanchonete no parque. Se você estiver com garrafas plásticas de água dentro de alguma caixa térmica, pegue e fique com a garrafa em mãos ou em uma bolsa num local bem acessível. Dependendo do tempo, isso vai ser bastante útil.
  • Durante a semana em que acontece a Paixão de Cristo, o Parque está fechado. Mais uma razão pra você ir em outra época do ano, conhecer o lugar e ir pra cidade de Brejo da Madre de Deus, a apenas 20 KM dali.

O Parque das Esculturas Nilo Coelho pode ser uma ótima oportunidade de ver a arte popular do interior de Pernambuco e a variedade de tipos que são representados nesse local.

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