Ponte do boi voador

Recife é uma cidade que nasceu e cresceu entre mangues, ilhas, rios e pontes. Só na região central da cidade, são cerca de vinte, de grande e médio porte, fora as menores, ligando os bairros das diversas regiões com o centro e entre si. Hoje vamos conhecer a história da ponte do boi voador.

A primeira ponte de grande porte no Brasil

A Ponte Maurício de Nassau é o lugar que vamos visitar hoje. Ela foi construída em 1917 sobre a mesma que foi feita em 1643, durante a administração do conde alemão que governava Pernambuco.

Essa ponte foi a primeira de grande porte no Brasil, mais um dos projetos ambiciosos de Nassau pra urbanizar o Recife, capital do território ocupado pelos holandeses em 1630.

Ela começou a ser projetada em 1641, quando o governador, contando com o patrocínio da Companhia das Índias Ocidentais, contratou o português Manuel da Costa que fez algumas estruturas iniciais até o projeto ser mudado.

Uma espécie de “licitação” foi feita e Balthasar da Fonseca foi contratado pra dar continuidade à obra. Já em 1642, o projeto começou a ficar mais complicado e caro e as obras foram suspensas.

A Companhia das Índias Ocidentais ficou sabendo da notícia e em 1643, mandou uma carta com duras críticas a Nassau.

Com o orgulho ferido, o alemão resolveu bancar de seu próprio bolso a conclusão da obra. Em 28 de fevereiro de 1643, era inaugurada a ponte, ligando a cidade Maurícia (atual bairro de Santo Antônio) ao Recife Antigo, onde hoje fica o Porto do Recife.

Um boi voando nos céus do Recife

Pra promover a inauguração da ponte, Nassau organizou um evento que se não tivesse sido documentado por um frei, de nome Manoel Calado, testemunha ocular da história toda, certamente entraria pro rol das lendas urbanas sobre coisas que contam por aí mas nunca se pode provar se realmente aconteceram.

Maurício de Nassau e o pessoal da Companhia divulgaram que fariam um boi voar nos céus do Recife.

Sem antes ter cobrado ingressos a quem quisesse se aproximar do local onde iria ser feita a demonstração, a certa altura trouxeram um boi vivo, que foi levado até uma espécie de palanque.

Esconderam esse boi dentro de um cubículo e do outro lado tiraram um animal empalhado, que foi amarrado a umas cordas com um sistema de roldanas, desde uma das torres do Palácio de Friburgo até uma das cabeceiras da ponte.

Marinheiros holandeses puxavam as cordas e realmente todos ficaram iludidos, achando que um boi havia mesmo voado sobre aquela área.

O “espetáculo” foi um sucesso, Nassau lucrou bastante com aquilo, pôde mesmo cobrir boa parte dos seus gastos com a obra.

Reformas e reconstruções

A construção seguiu com a mesma configuração depois da expulsão dos holandeses de Pernambuco até sofrer sua primeira reforma em 1683.

Em 1742, outra reforma, dessa vez mais radical. Até que no século XIX, no ano de 1865, a antiga ponte foi então desmontada.

Uma estrutura de ferro foi construída no lugar. Também houve uma mudança no nome: a ponte que era cohnecida como Ponte do Recife, mudou pra Ponte Sete de Setembro.

Em 1917, sofre uma reforma e ganha o nome de seu idealizador: Maurício de Nassau. No próximo ano, essa nova versão completa 100 anos e continua sobre o mesmo lugar, onde em 1643, foi construída a primeira ponte do Brasil de grandes dimensões e em área urbana.

O panorama atual na Ponte do boi voador

Hoje o visitante pode atravessar do bairro de Santo Antônio pro Recife Antigo, indo diretamente ao Marco Zero da cidade e a outros pontos interessantes.

Pode observar as outras pontes dos lados, a Buarque de Macedo, onde o Rio Capibaribe vai encontrar-se definitivamente com o mar e do outro lado, a Giratória, que tem esse nome justamente por que sua estrutura girava pra deixar os barcos passarem.

Existe muito mais por esse pedaço da cidade, o Recife Antigo está cheio de história e curiosidades que a gente vai conhecendo sempre um pouco mais em novos posts no Reverso do Mundo.

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