Por que não ir a Brejo da Madre de Deus?

Se você vai até a cidade cenográfica de Nova Jerusalém, no distrito de Fazenda Nova, seja pra assistir ao espetáculo da Paixão de Cristo ou numa outra época do ano, pra visitar os cenários, pode ser uma boa percorrer mais 20 KM e chegar à sede do município de Brejo da Madre de Deus.

Mas por quê? Se o atrativo principal naquela região é o teatro de Nova Jerusalém e a Paixão de Cristo, o que há na cidade que valha a pena uma visita?

Esse lugar pode te surpreender com suas histórias, arquitetura e belezas naturais que talvez você nem imaginava que pudesse existir por aqueles lados.

Entre serras altas está um vale

A palavra “brejo” pode trazer a imagem de pântano, lugar sujo, fedido, de uma situação que não tem mais jeito, enfim… tanto é que existem expressões na nossa linguagem cotidiana que dão essa ideia: “A vaca vai para o brejo” talvez seja a mais repetida delas.

Na Geografia, “brejo” realmente tem o significado de lugar alagadiço, pantanoso, mas também pode ser um vale no meio de serras onde as temperaturas são mais amenas, onde há mais verde, as paisagens naturais podem ser mais ricas do que as que existem em outras regiões próximas.

É isso mesmo que acontece na região do Brejo Paraibano, onde fica a cidade de Areia, por exemplo, e aqui onde estamos hoje.

A capital da Toyota Bandeirante

Uma das grandes curiosidades de Brejo da Madre de Deus é a enorme quantidade das picapes desse modelo.

Brejo da Madre de Deus

Até pelo fato da cidade ser cheia de ladeiras e de existir muito transporte de outros distritos além de Fazenda Nova, esse tipo de veículo caiu no gosto da população. Mesmo já tendo sua produção encerrada em 2001.

Porém, o que mais chama a atenção é que os proprietários das picapes mandam fazer alongamentos na estrutura dos veículos. Isso faz com que consigam levar um número maior de passageiros e volume de cargas.

Quando há casamentos de pessoas das famílias mais conhecidas do lugar, as picapes são enfeitadas e pintadas e se fazem passar por “limousines”.

Seguindo pra o brejo

O caminho pra a cidade de Brejo da Madre de Deus é pela Rodovia Estadual PE – 145, quase que uma reta só. Menos de meia hora até chegar ao núcleo urbano da cidade.

Se estiver com fome, há um restaurante até onde se pode chegar passando a entrada principal e continuando pela rodovia. Nesse estabelecimento, é servida comida caseira regional. Não é um restaurante “Gourmet”. Não há esse tipo de culinária na cidade.

Serras e rochas pra se observar

Ali mesmo, você já pode avistar a Serra do Estrago, onde comunidades pré históricas passavam há cerca de 10 mil anos, fazendo um cemitério numa furna, a uma certa altura. Também há registros de pinturas rupestres que foram descobertas no final dos anos 1980, por pesquisadores da Universidade Católica de Pernambuco.

A cerca de 1,6 KM do restaurante fica a Pedra da Bicuda, onde há uma daquelas rochas que parecem se equilibrar sobre as outras, às vezes, deixando o observador intrigado.

O que impressiona é que essas montanhas ficam perto das estradas. Se você parar pra olhar, estiver com uma câmera fotográfica e der um zoom por alguns minutos, vai perceber as ranhuras e as formas de outras pedras menores.

Porém, se você quer saber como chegar até as partes mais próximas dessas rochas, talvez vá se frustrar, pois nem mesmo com veículos com tração 4×4 será possível. Isso por que não há estradas ou qualquer outro meio de acesso a não ser por trilhas e em alguns casos, descidas ou subidas por pedras menores.

Quem se aventura pelo meio das pedras são os grupos que se reúnem em determinadas épocas do ano pra fazer as trilhas. Há também clubes de montanhistas que fazem escaladas mirabolantes.

Portanto, o visitante sozinho e que não tem habilidade com nenhuma técnica das que são usadas pelos praticantes de caminhadas e escaladas, tem de se contentar em observar as rochas do chão mesmo. Se bem que isso, sem dúvida nenhuma, já é um belo espetáculo.

No centro de Brejo da Madre de Deus

Saindo do restaurante, fomos até o centro da cidade. Através das vias principais, chegamos até a Praça Bom Conselho. Lá existe a maior igreja do Brejo, que levou anos pra ser terminada, no ano de 1868, e a feira.

Mesmo que você tenha como contornar a área central da cidade pra chegar do outro lado, talvez o melhor seja escolher um canto pra estacionar e descer até a praça, pois em dias de sábado, por exemplo, a feira ocupa, além do centro, várias ruas adjacentes.

Mas o que pode parecer um estorvo, pode ser uma boa opção, pois assim você terá a oportunidade de percorrer algumas ruas e ver de mais perto as pessoas e prédios históricos e importantes.

Um deles é o edifício conhecido como Casa de Câmara e Cadeia. Ele foi projetado em 1847, por Louis Léger Vauthier, arquiteto francês que anos mais tarde projetaria o Teatro de Sta. Isabel, no Recife. A execução ficou por conta do engenheiro José Mamede Ferreira, que foi o responsável por construções importantes na capital, como a então Casa da Cultura (de Detenção, na época) e o Ginásio Pernambucano.

O prédio além de já ter sediado a própria Câmara de vereadores, já foi a Prefeitura e hoje é um Centro Cultural.

brejo da madre de deus

Podemos também ver edifícios dos primórdios da cidade, muitos deles revestidos de azulejos, com adornos bem ao estilo do final do século XIX.

Um desses edifícios com azulejos é um sobrado onde hoje funciona o Museu Municipal. Ele é o único do interior do estado de Pernambuco com um acervo arqueológico com peças coletadas na própria cidade.

Há alguns casarões que pertenceram a coronéis da região e outros, onde já funcionaram barbearias, restaurantes e até um cinema.

A igreja no alto e outras imponentes serras

Em boa parte do centro da cidade existem ladeiras. Só que a subida que leva ao pátio da igreja matriz de São José é um pouco mais pesada. Subimos caminhando mesmo, não é fácil mas a empreitada vale a pena.

A igreja de São José é a mais antiga da cidade, já tinha sido construída em 1792 antes mesmo de Brejo se emancipar. Originalmente tinha apenas uma torre, passou por várias mudanças ao longo dos anos, outra torre foi construída e na parte central pode-se ver o ano de 1935.

Da frente da igreja pode-se ter uma visão do centro, com destaque pra alguns sobrados antigos e é de lá também que podemos admirar as serras.

Olhando pra um outro extremo da zona urbana, temos a visão da serra onde há um santuário de Nsa. Sra. Mãe Rainha. A comunidade católica da região organiza romarias até o local e ficamos a a imaginar o quanto essas caminhadas não devem ser nada fáceis, devido à altitude onde fica a pequena igreja.

Na Serra da Prata foram colocadas as antenas de telecomunicações, rádio, TV, etc. Por sua altitude de cerca de 900 metros e verticalidade, a gente tem até a impressão de que as rochas estão no quintal das casas próximas.

Algumas dicas pra curtir o Brejo

Se você for assistir ao drama da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, no distrito de Fazenda Nova, pode aproveitar e chegar pela manhã, ficando até depois da hora do almoço na cidade. A partir do começo da tarde, o movimento em torno das muralhas da cidade teatro começa a ficar mais intenso e você deve chegar lá o mais cedo possível pra evitar transtornos.

Se for em algum dia fora da semana de apresentações, pra conhecer os palcos e as estruturas, você terá mais tempo disponível, mas talvez seja melhor ir até a cidade depois de ter conhecido o teatro, pois ele se localiza, como já colocamos, a 20 KM antes da entrada pra a sede do município.

E, como já dissemos, não vá até as serras. Se você estiver sozinho, não possuir treinamento específico, experiência em caminhada e subidas  em rochas, fique das ruas observando as montanhas. Se tiver interesse, faça uma avaliação com um médico e encontre  um grupo de trilheiros e montanhistas.

Seja como for, é uma boa reservar umas horas a mais do seu dia pra passear pelas ladeiras históricas da cidade e ver de (um pouco mais) perto as paisagens exuberantes das serras.

O centro da cidade não é grande, as coisas não são distantes umas das outras e o povo, na maioria das vezes, é muito atencioso, muitas pessoas que encontramos parecem fazer questão que você conheça tais e tais lugres. Se você disser que já passou por algum local, é capaz até de te  perguntarem o que achou.

Portanto, considere ir a essa interessante cidade, seja no tempo da Semana Santa ou em outra ocasião. Se curte o contato com a natureza, história, cultura e roteiros alternativos, este é um programa ideal pra você.

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