Piranhas, Alagoas – O que fazer na “Lapinha do Sertão”

Piranhas, Alagoas, às margens do rio São Francisco, tem uma rica história, lugares interessantes pra se visitar e uma vida noturna bem movimentada nos finais de semana. Isso sem perder a tranquilidade de uma pequena vila do interior.

Nesse post, vamos começar a nossa visita a essa cidade. Hoje, conheceremos um pouco de sua história e veremos alguns de seus cartões-postais.

O “Porto das Piranhas”

O povoamento do local teve início lá pelos meados do século XVIII com algumas casinhas muito simples de pescadores e nem se chamava Piranhas e sim Tapera.

Uma lenda conta que um pescador conseguiu fisgar uma piranha grande e gorda e levou-a pra casa. Chegando lá, percebeu que havia esquecido o seu cutelo, (um tipo de faca pra cortar carnes) então mandou que um de seus filhos fosse buscar o cutelo “no porto das piranhas”.

A história passou de geração pra geração, se tornando a versão mais divulgada pra a origem do nome da cidade.

Há outra versão menos conhecida e bastante curiosa: O vale onde está a cidade seria um lugar tão feio que parecia com a boca de uma piranha… maldade!… Piranhas, entre serras e na beira do rio São Francisco, está situada em uma bela paisagem natural.

Piranhas também tem um apelido, esse bem mais agradável do que o da história da boca da piranha:  “Lapinha do Sertão“.

A navegação pelo rio e o transporte ferroviário trazendo desenvolvimento

Em sua viagem a essa região, em 1859, o imperador D. Pedro II percebeu a necessidade de implantar a navegação pelo rio São Francisco.

Através de um decreto de 1866, o monarca estabelece as primeiras navegações de barcos a vapor que faziam a rota de Piranhas até Penedo, a pouco mais de 100 KM rio abaixo.

Outro fator de que ajudou a desenvolver o lugar foi o transporte ferroviário. Já no finalzinho do período imperial, foi construída a estrada de ferro que ligava a cidade alagoana a Petrolândia, em Pernambuco.

Na segunda metade do século XX, as navegações e as ferrovias perderam espaço pra o transporte rodoviário. Com sua história e sua localização privilegiada, a cidade vem se estabelecendo como um dos destinos estão ganhando força nos últimos anos. O conjunto arquitetônico de Piranhas. Alagoas foi tombado pelo Iphan em 2004.

Começando a passear pela cidade, vamos conhecer alguns dos seus pontos importantes.

Centro de Exposição e Cultural de Artesanato

Chegamos a um prédio amplo e bastante comprido. Já está modificado desde que perdeu as funções originais, mas era aqui que era feita a manutenção dos trens que vinham e chegavam pela antiga ferrovia.

Os trens não circulam há mais de 50 anos, porém, ainda restam algumas lembranças em fragmentos preservados de trechos onde as locomotivas ficavam pra que operários fizessem consertos, substituíssem peças Etc.

Hoje, esse antigo galpão é  Centro de Exposição e Cultural de Artesanato, lá podem ser encontrados os mais diversos tipos de arte feita de madeira, barro, couro, palha, etc…

Há souvenires mais comuns, como canequinhas pintadas, camisetas, enfeites, assim como peças mais elaboradas, inclusive especialidades da região, como um tipo de bordado conhecido como o Redendê, que é feito no povoado de Entremontes, próximo da cidade.

Os preços, de uma forma geral, não são lá muito convidativos, mas tem artesanato pra todos os gostos e sempre se pode escolher algo pra levar e enfeitar a sala, ou dar de presente pra alguém querido.

O Museu do Sertão

Bem ali pertinho há o belíssimo prédio da estação ferroviária de Piranhas, inaugurada em 1881. Dentro dele funciona uma agência do Banco do Brasil, a Secretaria municipal de Cultura e Turismo e o Museu do Sertão.

Numa das portas, há uma placa de madeira indicando a entrada do museu. Pra ter acesso a ele, você deve pagar uma taxa de visitação, (R$ 2,00 em setembro de 2017).

Você não encontrará várias alas divididas por temas nem ambientações com maquetes, luzes ou coisa do tipo. O mérito desse Museu é ser honesto, ou seja, realmente conta com peças que foram feitas e usadas por gente do sertão do São Francisco entre os séculos XIX e XX.

Figuras de cunho religioso e de uso cotidiano. Fragmentos de épocas que, mesmo em lugares como esse, no alto sertão nordestino, já não fazem parte, com a mesma intensidade de antigamente, do dia dia da população.

O Café da Torre

Em frente ao prédio do Museu existe uma torre construída no final dos anos 1870, que nos tempos do transporte ferroviário serviu como relógio, posto de observação, entre outras coisas.

Hoje, funciona lá em cima o charmoso Café da Torre, que como o próprio nome sugere, serve cafés dos mais variados tipos e sabores. Além de docinhos e petiscos.

Há algumas poucas mesas, pois o lugar não é tão amplo, mas é muito acolhedor e singelamente decorado. Das janelas, é possível ver a movimentação do começo da noite na cidade.

Para se chegar até a cafeteria é preciso subir uma escada em caracol um tanto quanto alta. Mas a atendente do lugar garante que se alguém não puder ir até lá em cima, ela desce e as pessoas são servidas em umas mesinhas que ficam na parte térrea.

O Museu do Sertão funciona de Terça a Domingo, de 8 às 17 horas.
O Centro de Exposição e Cultural de Artesanato, abre também de Terça a Domingo, de 8 às 16 horas.
O Café da Torre abre todos os dias das 16 às 20 horas.

+ Infos: Secretaria de Turismo e Cultura de Piranhas, Alagoas – Tel: (82) 98815 – 3045 / (82) 99971 – 0979

Obs: Mudanças de horários, de locais ou de políticas de uso dos equipamentos culturais estão sob responsabilidade da Secretaria.

Como chegar em Piranhas?

Empresas de turismo fazem um “bate e volta”, saindo de Maceió ou de Aracaju. Vans ou micro-ônibus deixam os hotéis bem cedinho e vão até o sertão. Saindo de Aracaju, o percurso dura cerca de 4 horas. Desde a capital alagoana, a viagem demora um pouco mais.

É possível também ir de ônibus, a rodoviária de Piranhas fica na parte nova da cidade.

Existem outras maneiras: Saindo de Maceió, de Aracaju, indo desde Paulo Afonso – BA ou pra Canindé do São Francisco – SE e de lá pra Piranhas. Outra dica é entrar em contato com o local de hospedagem pra onde você vai. Geralmente, as pessoas são muito acessíveis e prestam as informações necessárias.

Nossa viagem foi a partir de Olinda – PE, fomos pela BR 232 até São Caetano – PE, de lá até Garanhuns – PE e partimos pra Alagoas pela estrada que leva até Paulo Afonso, descendo pra Delmiro Gouveia – AL e daí pra Piranhas. A viagem dura 6 horas e meia.

Seja qual for o seu ponto de saída, é bom ficar ciente de uma coisa: As rodovias alternam trechos de melhor ou pior qualidade, podendo tornar a viagem um pouco cansativa.

Onde se hospedar?

Há uma certa variedade de locais pra se hospedar em Piranhas, desde albergues entre as casas mais antigas até pousadas e hotéis com mais infraestrutura, tanto no centro histórico como na parte recente da cidade.

Recomendamos que, antes de viajar, você examine com atenção os locais de acordo com suas prioridades. (se vai com pessoas idosas ou crianças pequenas, quantidade de bagagens, horários de deslocamentos, etc…)

Isso porque há pousadas pra onde se tem acesso através de escadarias, há outras bem no centro da cidade histórica, algumas em ruas adjacentes, entre 300 e 600 metros de distância do centro e alguns outros locais na parte mais nova da cidade, variando entre 1,5 e 2 km de distância.

Outras dicas importantes:

Se você pensa em ir a Piranhas, saiba que trata-se de uma região quente e seca. Mesmo com o rio São Francisco ali bem perto, durante o dia, desde as 8 horas da manhã, até o pôr do sol, faz calor, a temperatura pode chegar aos 30 graus ou até mais. Talvez seja melhor passar protetor solar, andar de chapéu e com roupas bem leves. Mesmo se você já estiver acostumado a andar em lugares onde faz calor.

Os locais de hospedagem, principalmente os do centro histórico, não contam com estacionamento interno. É preciso deixar o veículo em frente ou o mais próximo possível da pousada ou hotel. Isto não chega a ser tão inconveniente, uma vez que na cidade não há congestionamentos e o risco de roubos e furtos é praticamente nenhum.

Se precisar fazer alguma compra, é melhor ir a parte nova da cidade. No centro histórico não há supermercado, apenas mercearias pequenas onde as coisas são bem mais caras do que o habitual.

Essa foi a primeira parte da nossa viagem a Piranhas, no sertão de Alagoas. Num próximo post, vamos falar da movimentada noite no centro histórico e de alguns outros pontos que certamente você gostará muito de visitar.

2 comentários em “Piranhas, Alagoas – O que fazer na “Lapinha do Sertão”

  • 05/10/2017 em 09:45
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    Nossa, muito fofinha essa cidade. A foto do título ficou massa tirada de cima. É bom saber que existem lugares próximos que a gente não faz nem ideia que existem ou do que tem lá :)

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    • 05/10/2017 em 11:50
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      Nós conhecíamos muito por alto, Américo, o que é mais conhecido naquela região lá é Paulo Afonso. Mas Piranhas apresentou coisas com as quais nos surpreendemos, mesmo a gente que procura saber tudo que for possível de antemão, pra justamente poder saber onde ir, pra produzir os posts. Mas ao vivo já é outra coisa.
      Olha, existe uma estrutura bem interessante por lá, tanto que encontramos uma certa quantidade de pessoas de outras regiões. É claro que há os problemas que nunca são resolvidos, como os acessos por terra, mas é interessante. Se não começarem a fazer exploração predatória (o Velho Chico já anda bem surrado, conversamos muito sobre ele com gente de lá) as coisa podem evoluir.
      Fica ligado que num próximo post, vamos mostrar a noite e outros pontos lá mesmo em Piranhas.
      Abraço
      ~ Leonardo

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