A praia e a noite em Piranhas, sertão de Alagoas

Hoje retornamos a Piranhas com mais algumas dicas, atrações e histórias dessa aconchegante cidade do sertão de Alagoas, encerrando assim, a nossa visita.

Se você não leu a primeira parte da viagem, acesse:

A movimentada noite sertaneja

Antes mesmo das 19 horas, começamos a perceber o movimento nos bares e restaurantes do largo do comércio. Funcionários colocando mesas, cadeiras, porta-guardanapos e demais itens pra deixar tudo pronto.

Enquanto a cidade antiga vive a sua rotina, os sobrados e casas das primeiras ruas mais próximas à orla do São Francisco vivem um frenesi. Gente chegando tanto das pousadas ali mesmo dos arredores, quanto das que ficam na “Piranhas Nova”.

A Cachaçaria Altemar Dutra é um dos pontos mais tradicionais da noite piranhense. Mesmo tendo o nome imediatamente remetendo a cachaça, esse é um lugar que serve outros tipos de bebidas, petiscos e pratos mais elaborados.

cachaçaria altemar dutra

Pelas 20 horas, o entorno já tá praticamente cheio, podemos ver gente de diversos lugares, não só em torno da Cachaçaria, como de vários restaurantes, inclusive do tipo “self-service”.

Entre as 22 horas e meia-noite, acontecem as apresentações musicais. Um cantor tipo voz e violão, um trio de forró tradicional com sanfona, triângulo e zabumba, até mesmo um sambinha.


Em algumas datas, geralmente já na época de alta estação, acontecem eventos organizados com palcos e apresentações de grupos culturais, muitos deles dançando o Xaxado, ritmo tipicamente sertanejo, que foi, aliás, muito difundido por cangaceiros, como o próprio Lampião.

É bom saber que:

Os estabelecimentos que contam com atrações musicais cobram o chamado “couvert artístico”, além dos famosos 10%, que é uma cobrança facultativa.

Se você vem da parte nova da cidade, ou de uma rua adjacente e acha melhor ir de carro até o centro histórico, é preciso ter um pouco de paciência, principalmente do lado de quem vem da parte nova, pois há ladeiras que são um tantinho estreitas.

Há locais pra estacionamento na parte de cima do largo, numa quadra esportiva. Há vagas ao lado de onde ficam os antigos depósitos da estação e no próprio entorno dos bares e restaurantes.

Como íamos fazer a Rota do Cangaço no sábado, e outros roteiros na manhã de domingo, que em breve você verá aqui no Reverso, achamos melhor não esticar a noite, mas muitos dos nossos companheiros de pousada que ficaram nos bares e outras pessoas com quem conversamos na cidade garantem que a diversão é boa quando vai ficando mais tarde.

Domingo é dia de praia!

Sim! Em Piranhas você pode pegar uma praia. Às margens do São Francisco, nos finais de semana, é grande a quantidade de gente que vai tomar banho de rio.

Em frente à orla também ficam restaurantes onde se pode almoçar ou simplesmente tomar umas com os amigos. A comida é baseada em diversos preparos com peixes.

Na água, as pessoas se divertem, crianças e adultos curtem a sensação refrescante que é muito boa, estando num lugar de clima quente e seco.

Mas, assim como em águas marinhas, é preciso tomar certos cuidados:

Existe uma sinalização na água feita com grandes boias e cordas indicando os limites de segurança pra banhistas. Há salva-vidas no local e eles agem com muita presteza, também existem placas com advertências.

Por isso, nunca, jamais vá pra além das barreiras. A profundidade do rio aumenta repentinamente e a correnteza pode provocar redemoinhos.

Muita gente prefere ficar mesmo em cadeiras com guarda-sóis, bem pertinho da água, mas sem entrar no rio, tem gente que tem medo. Mas, ficando dentro dos limites, sem se arriscar, certamente será uma experiência muito prazerosa tomar um belo banho nesse lugar belo e emblemático.

Altemar Dutra e o sertão de Alagoas

O cantor, que ficou famoso no país todo entre os anos 1960 e 70, principalmente com boleros, faleceu em 1983 mas até hoje tem uma numerosa base de fãs e suas músicas ainda são bastante tocadas.

Nascido em Minas Gerais, costumava passar férias em Piranhas, onde, dizem que andava tranquilamente, como se fosse mais um habitante local. Tanto é que, de fato, recebeu o título de cidadão piranhense.

Aliás, é por esse motivo que vários locais da cidade o homenageiam. A rodovia de acesso ao centro histórico, um dos principais restaurantes, assim como postos de gasolina, estabelecimentos comerciais diversos, etc.

Há uma praça com uma estátua do cantor. Ela é uma das atrações do local. Bastante visitada tanto por pessoas que nem fazem ideia quem foi ele quanto por músicos que tentam a sorte com seus CDs e vem ao monumento, como se quisessem as “bençãos” do ídolo.

Casario histórico e conservação

Uma boa maneira de conhecer melhor a “Lapinha do Sertão” é caminhado pelas ruas. O casario do centro histórico é uma atração à parte.

Casas térreas e sobrados, tanto mais próximos do centro como nas encostas das serras ao redor. Colorido e geométrico, o casario de Piranhas está razoavelmente bem conservado.

Por causa do tombamento de quase toda essa área, os proprietários não podem modificar a forma das casas. Não é permitido construir garagens internas, fazer primeiro andar. Tudo isso é feito pra que se mantenha uma paisagem mais original e autêntica.

Mesmo a cidade antiga sendo pequena e quase tudo estar muito perto, existem placas indicativas dos principais pontos de interesse. Há também um quiosque de informações onde você pode perguntar, por exemplo, o horário de funcionamento dos museus e demais espaços culturais.

Talvez fosse interessante a disponibilização de mapas turísticos. Um arquivo que pudesse ser baixado no site da prefeitura ou distribuído aos visitantes em formato físico na própria cidade, como acontece em vários lugares. Isso facilita um bocado o planejamento, pra quem quer visitar os pontos de interesse histórico e turístico, aproveitando o máximo possível o período em que vai permanecer em Piranhas.

A cidade e o “Velho Chico” lá do alto

Não, nós não fizemos um passeio de avião nem usamos drones. Fomos a um ponto conhecido como “Mirante Secular”.

O monumento fica na parte mais alta do centro histórico e você pode chegar lá de duas maneiras: ou subindo os mais de trezentos degraus da escadaria que começa no largo do comércio, ou de carro, pegando a estrada que sai da cidade e entrando à sua direita depois de passar pelo portal e onde há algumas placas indicando um restaurante e um hotel.

Depois de sair da rodovia, há um trecho de terra e é bom ter atenção pois nos períodos mais secos, vão se formando pedrinhas que podem causar uma certa sensação de perda de aderência, mas não é perigoso, não há curvas ou ribanceiras e no final há uma área bem razoável pra estacionamento.

Chegamos aos pés de uma torre não muito alta e bem larga. Ali ficava, no séc. XIX, um farol pra orientar as embarcações que circulavam no rio São Francisco. Há uma placa que foi colocada como uma “Homenagem do povo do século XIX ao povo do século XX”, aliás, por isso mesmo o nome do lugar.

Bem ao lado do antigo farol, um restaurante. Após passar por dentro dele, podemos apreciar maravilhosas vistas da cidade.

O rio São Francisco, mesmo tão maltratado, mostra-se com grandeza visto do alto.

Podemos observar os diferentes tipos de barcos, desde os catamarãs que conduzem os turistas aos passeios até a Cangaço Eco Parque ou aos Cânions do Xingó até pequenas lanchas e as canoas dos pescadores locais.

O funcionário do restaurante contou que há as chamadas “pedras de sino”, que são aquelas que tem um formato específico que faz com que elas emitam um som forte ao serem golpeadas com outra pedra, numa serra, bem do nosso lado esquerdo.

Segundo o nosso amigo, por aqueles lados existe também um cemitério já abandonado há muito tempo. Como não havia estrada, nem caminho seguro até esses locais, ficamos mesmo a olhar desde o mirante.

sertão de Alagoas

Fomos embora de Piranhas numa segunda-feira de manhã sob chuva, que começou a cair assim que pegamos a rodovia Altemar Dutra de volta a Pernambuco.

Não costumamos muito voltar aos lugares que visitamos, principalmente os que são mais distantes de nossa cidade. Porém, quem sabe, em breve, visitaremos outros pontos na região, como o povoado de Entremontes e faremos os passeios aos famosos “Cânions do Xingó”?

Bom, isso a gente ainda não sabe. O certo é que continuaremos com outras histórias, de outros lugares, na semana que vem.

Saiba + sobre a Cachaçaria Altemar Dutra 

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