Música para viagem: “Mergulho”, de Gabriel Martins

O post a seguir não é um artigo patrocinado ou algo do tipo. Pelo contrário. Conheci o trabalho do Gabriel Martins de uma forma bem inesperada pelo Instagram.

Em suas mensagens, Gabriel disse que era músico, postou uns links pra uns vídeos… e devo dizer que foi encantamento à primeira vista… ou melhor, à primeira audição.

Conversamos um pouco e ele pediu o endereço daqui do Reverso, disse que enviaria o CD físico e lançou um verdadeiro desafio:

Se além de artigos sobre viagens, histórias, etc, poderia existir aqui no Reverso espaço pra música.

A bem da verdade, não costumamos escrever sobre discos, bandas e canções. Aqui e ali há referências à música, pois este é um blog que também conta muitas histórias e mostra personagens interessantes da história musical, enfim… Mas não somos críticos, jornalistas especializados nem nada.

Mas topamos. E que bom que topamos, pois, definitivamente, pudemos apreciar e compartilhar com você uma belíssima obra de arte.

“Mergulho” é o nome do primeiro disco desse músico e compositor que nasceu em São Paulo e é filho de Vítor Martins, compositor e um dos principais parceiros de Ivan Lins.

Gabriel Martins por Gustavo Massola

O disco instrumental faz alusões à natureza. Ou melhor, é uma grande homenagem a ela. Os títulos das faixas quase todos são referências explícitas ao mar, à chuva, à lua, etc… As artes da capa e do encarte trazem imagens de ondas, de espuma do mar e do céu, não só do céu aberto e azul, mas também nublado e de noite, repleto de estrelas.

Aliás, a primeira faixa nos faz justamente um convite a um passeio pelos céus. Em “Planador”, podemos ouvir guitarras suaves, com notas que soam fluídas, que parecem pairar no espaço.

A música segue formando imagens, melodias que não são complexas de se absorver, porém passam longe do simplório, antes, pelo contrário.

Um destaque pra a terceira faixa: “Respeite o Mar”. Aqui podemos escutar um som mais psicodélico. A guitarra aparece mais distorcida, com bastante eco. É um tipo de “noisily rock” delicado, (Paradoxal? Mas é isso mesmo) não é como aqueles que às vezes pode incomodar tímpanos mais sensíveis. Vale a pena conferir essa interessante faixa experimental.

“Os Encantos da Lua” é a quarta faixa do disco. Aqui há cordas: violões, violas e o violoncelo pintando no ar belíssimos sons.

Nessa música, a participação especial de Ivan Lins recitando um texto que condensa várias ideias não só da canção mas também, de certa forma, do disco como um todo:

(…) A Lua
Senhora, Rainha.
O céu é dela
Acho que ela sabe de nós, nos olha (…)

Quem de nós que gosta de viajar nunca teve alguma sensação parecida com essa ao olhar pra a lua brilhante e  cheia na praia ou entre as serras?

Na faixa 5 e na seguinte, temos ritmos mais movimentados. A presença do Reggae e de pitadas de suingue tornam o clima mais alegre. Não que o resto do disco seja triste, de forma alguma! mas é que essas músicas têm, por assim dizer, uma extroversão maior.

Não há sons ou efeitos de vento, chuva com trovoadas e ondas do mar, porém, tudo isso está nas músicas. Nos solos, nas bases, nas percussões e nas viradas da bateria: pode-se perceber muito fortemente a natureza em suas várias nuances.

Como em “Cheiro de Chuva”, a faixa 8, onde a marcação constante da bateria, usando bastante as batidas nos pratos e os efeitos com as cordas da guitarra nos levam quase que a visualizar a água caindo, descendo pelo telhado e molhando o chão.

Na faixa 9, “Despedida”, o retorno de acordes de violão com o violoncelo fazendo o acompanhamento. Uma simples e bela melodia.

A música seguinte, “Valsinha do Mar” é outra que conta com a participação especial de Ivan Lins com uma melodia vocal. Muito interessante, com a bateria na condução de um ritmo bem envolvente. Destaque pro baixo, que aparece desenhando, junto com outros instrumentos, a base para a voz de Ivan.

A décima primeira e última faixa do disco, “Gratidão à Natureza”, conta com a participação especial de Sabrina Parlatore e é muito oportuna pra fechar um disco como “Mergulho” em alto-astral. Os metais (saxofone, trombone e trompete) contribuem de maneira fundamental pro clima dançante da canção.

Sabrina recita um trecho da letra de “Depois dos Temporais”, composta por Ivan Lins e Vítor Martins. Nada melhor do que esses versos para arrematar esse brilhante trabalho e deixar o ouvinte com aquela curiosidade de imaginar o que Gabriel Martins nos trará no futuro… e aqui pra nós, esperamos que venha muito mais!

E assim foram seguindo em frente
Fazendo amor pelos sete mares
Inchando a água de alga e peixe
Seguindo os ventos
As marés e as correntes
O caminho dos golfinhos
A trilha das baleias
E não havia arrecifes
Nem bancos de areia
Nem temores, nem mais dores
Não havia cansaço
Só havia, só havia azul e espaço

 

Site do Gabriel Martins, onde você encontra os links para as suas redes sociais, bem como para as principais plataformas de música da Web, onde pode escutar o disco “Mergulho”: www.gabrielmartinsmusic.com

*Fotografias: Gustavo Massola, enviadas por Gabriel Martins

Participe da conversa com seu comentário: