Um fim de semana em Canindé de São Francisco – Sergipe

Canindé de São Francisco é uma pequena cidade do sertão de Sergipe. Fica pertinho de Piranhas, a apenas 12 KM de distância. É lá que ficam muitos dos famosos cânions do São Francisco, pra onde se pode ter acesso em passeios de barcos.

Mas nós não vamos aos cânions nesse post. Agora, conheceremos algumas outras boas atrações da cidade: O Museu Arqueológico de Xingó e a prainha do rio.

O MAX

Se você já leu algum dos nossos posts sobre museus em cidades do interior, deve ter reparado que boa parte deles não funciona da forma mais adequada. Muitos têm preciosidades no acervo e contam com funcionários apaixonados pelo que fazem, mas são lugares que nem sempre recebem a atenção devida.

O Museu de Arqueologia do Xingó (MAX), se tá longe de ser um Louvre, é organizado, conta com uma boa estrutura de ambientação e uma bela coleção de peças originais da pré-história. Os guias são estagiários da Universidade Federal de Sergipe (UFS), explicam e tiram dúvidas sobre o material exposto.

Canindé de São Francisco (2)

O MAX foi criado em 2000 para expor uma parte do acervo de peças do projeto de salvamento arqueológico desenvolvido pela UFS.

Esse “salvamento” foi feito no final dos anos 1980 por causa da construção da Usina Hidrelétrica de Xingó: O grande lago formado pela água represada da usina inundou vários sítios arqueológicos importantes daquela região.

Antes de entrar no MAX, você deve passar por uma guarita que fica em frente ao prédio para comprar o bilhete de entrada, que custa R$ 5,00 (em finais de 2017). Nessa sala também é possível adquirir camisas, peças de arte e demais souvenirs do museu.

Logo de cara, o que nos chamou a atenção foram umas pedras que continham gravuras rupestres. Isso nos remeteu às inscrições da Pedra do Ingá, no interior da Paraíba, mas essas do Xingó, embora guardem algumas semelhanças com as de Ingá, tem características próprias.

Canindé de São Francisco (3)

Existem alguns espaços onde podemos ver imagens em tamanho natural e maquetes reproduzindo cenas do cotidiano, de trabalho e de rituais de comunidades pré-históricas.

O modo como essas pessoas enterravam seus mortos é mostrado de forma bem detalhada, afinal muitas peças foram trazidas do Sítio Arqueológico do Justino, um dos locais com mais sepultamentos pré-históricos já encontrados no Brasil.

Há algumas amostras de esqueletos com bacias de argila sobre a cabeça e os quadris. Também é possível ver ossos de animais e restos de colares e outras peças próximas dos esqueletos. Isso tudo, segundo os pesquisadores, é por que existia uma série de crenças e visões transcendentais entre aquelas populações do sertão de milhares de anos passados.

Há também uma sala para exposições temporárias, de curta duração, com motivos que procuram valorizar a cultura local.

Ali podemos ver a recriação de uma habitação tipicamente sertaneja, com móveis, utensílios domésticos e de trabalho e representações de santos, quadros de família Além da xilogravura, técnica em que é usada a madeira com gravuras para reproduzir imagens em papel ou em tecido.

O Museu de Arqueologia do Xingó pode te proporcionar conhecimento e entretenimento, mostra com riqueza de detalhes e numa ambientação muito bacana, utilizando cenografias com painéis, caixas de areia, galhos, água, etc. Ou seja, pra quem curte história e cultura, é uma boa opção para um domingo de manhã em Canindé de São Francisco.

Do MAX até a prainha de Canindé de São Francisco

Chegamos cedo e assim que estacionamos, um trabalhador de um dos bares veio nos oferecer uns folhetos de seu estabelecimento, dizendo que se fôssemos comer lá, teríamos um desconto ao apresentarmos o papel.

Fomos caminhando devagar até os boxes e ficamos observando o entorno. Sem que perguntássemos nada a ninguém, apareceu uma senhora já bem idosa e disse que foi lá que aconteceu o acidente com o ator da novela, nos apontando o lugar específico onde as coisas todas se deram.

Domingos Montagner

Canindé de São Francisco (18)

De fato, nessa praia do rio São Francisco, foi onde aconteceu, em 2016, o desaparecimento e a morte de Domingos Montagner.

O ator, que estava apenas começando a experimentar um reconhecimento e fama maiores, fruto de seus trabalhos na teledramaturgia da principal rede de televisão do Brasil, estava no sertão para as gravações da novela “Velho Chico.

No começo da tarde de 15 de setembro, Montagner foi mergulhar no rio, junto com sua colega de elenco, Camila Pitanga. Na altura, os boxes e toda a estrutura de estacionamento e circulação de pessoas ainda não tinha sido terminada, então era um lugar muito pouco frequentado.

Segundo relatos de Camila e da imprensa, os atores teriam percorrido um caminho entre as pedras e então chegado a uma ponta, numa pedra maior e mais alta. Daí então nadaram até uma outra pedra. Camila conseguiu alcançar esse ponto, Montagner não.

O corpo do ator, então com 54 anos, foi encontrado no final da tarde do dia 15 de setembro de 2016. Os exames feitos pelo IML constataram morte por afogamento.

A vida continua

Bom, explicações sobre o que de fato ocorreu devem ser dadas por pessoas com conhecimentos técnicos sobre o assunto e pelas autoridades.

O que vimos, e que realmente nos impressionou quando observamos o rio não só no local do acidente, como também nas proximidades, é que há de fato, há muitos trechos onde se formam redemoinhos, a correnteza é forte e não vai seguindo por um rumo só, as águas parecem se espalhar em várias direções entre as pedras.

Na hora em que chegamos, ainda estava começando a aparecer mais gente, o que nos possibilitou dar uma olhada com mais calma na estrutura dos boxes e uma boa circulada pela praia.

algumas placas alertando sobre o perigo de se entrar no rio e, em vários pontos, vimos as boias com as cordas de segurança. Alguns turistas e habitantes locais entram na água, porém, muito na margem, onde ainda está raso.

O movimento maior se concentra na areia, local que fica repleto de guarda sóis, mesas e cadeiras, também há alguns toldos.

Estamos no sertão e não há aquele vento de litoral, o tempo é quente e seco, isto é amenizado um pouco devido à proximidade com o rio, mesmo assim, é uma sensação diferente.

Ainda havia aquele “cheirinho de novo” nas instalações dos boxes, no estacionamento, nos banheiros e em tudo ao redor.

Para almoçar, os pratos à base de peixe são os mais comuns. A comida vem em porções, dependendo do acompanhamento que você escolher. Há som ligado tocando forró, ou qualquer tipo de música de sucesso do momento, geralmente em um volume que não chega a atrapalhar a conversa.

É uma boa passar um tempo na prainha de São Francisco de Canindé. Ambiente familiar, instalações limpas e a vista do rio.

O MAX abre de Terça a Domingo, sendo que de terça a sexta, funciona de 8 às 17 horas e no Domingo, de 8 às 16.
Site do Museu: max.ufs.br

OBS: Qualquer alteração nos horários ou na mudança de políticas de visitação dos lugares mostrados, são de responsabilidade de seus administradores.. Fomos em visita, não temos nenhum vínculo com o MAX e nem com o os proprietários de restaurantes e bares da prainha. 

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